As forças separatistas armênias e o Exército azerbaijano seguiam os combates nesta terça-feira (13), em vários setores do “front” em Nagorno Karabakh, sem respeitar a trégua humanitária pelo quarto dia consecutivo.
Os dois lados trocaram acusações a respeito das hostilidades, que já causaram 600 mortos, sendo 67 civis. Estes números são parciais, visto que o Azerbaijão não divulga suas perdas militares.
Os separatistas do enclave acusam o Exército rival de ter lançado uma tripla ofensiva no sul, no norte e no nordeste da autoproclamada república.
Já Baku disse “respeitar o cessar-fogo”, denunciando que o inimigo armênio está atacando os distritos azerbaijanos de Goranboy, Terter e Agdam.
Alcançada com mediação da Rússia, a trégua deveria ter entrado em vigor no sábado (10), pelo menos para permitir a troca de detentos e de combatentes falecidos. Até agora, não foi respeitada.
Nagorno Karabakh é um território azerbaijano povoado, majoritariamente, por armênios que proclamaram sua independência em 1991. Essa mudança de status provocou uma sangrenta guerra com 30.000 mortos.
Desde então, Baku acusa a Armênia de ocupar seu território. Com frequência, explodem confrontos entre os dois rivais. Os combates atuais, que começaram em 27 de setembro, são os mais graves desde 1994.
Após quase três décadas de estancamento diplomático do conflito, o presidente azerbaijano, Ilham Aliev, prometeu que retomaria o controle deste território, mesmo que à força.
A comunidade internacional teme que o conflito se internacionalize. A Turquia estimula o Azerbaijão a passar para a ofensiva, e a Rússia tem um tratado militar com a Armênia.
Ancara é acusada de ter enviado combatentes pró-turcos da Síria para lutar junto com os azerbaijanos, o que o governo nega.
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), 119 combatentes sírios de facções pró-turcas morreram desde o final de setembro, do total de 1.450 estacionados em Karabakh.