Um alto comando militar iraniano afirmou neste sábado, 2, que é “provável” a retomada da guerra entre o Irã e os Estados Unidos, depois que o presidente americano, Donald Trump, disse não estar satisfeito com uma nova proposta de negociação feita por Teerã.
“As Forças Armadas estão plenamente preparadas para qualquer nova aventura ou insensatez dos americanos”, assegurou o subchefe de inspeção do Quartel Central Khatam al-Anbiya, o general Mohammad Jafar Asadi, segundo informou a agência de notícias Fars, vinculada à Guarda Revolucionária.
Asadi disse ainda que as ações e declarações das autoridades americanas têm principalmente um caráter midiático e buscam “sair do atoleiro que eles mesmos criaram”.
Estas declarações ocorreram depois que na noite de sexta-feira Trump considerou insatisfatória a última proposta do Irã para alcançar um acordo de paz.
A agência oficial iraniana IRNA informou na quinta-feira que o Irã havia enviado uma nova proposta através do Paquistão, país mediador nas negociações de paz com os Estados Unidos.
Oferta do Irã não convenceu Trump
Teerã já havia apresentado uma proposta na semana passada a Washington, por meio de Islamabad, na qual oferecia uma negociação em várias fases, centrada inicialmente no fim da guerra e na reabertura do Estreito de Ormuz por ambas as partes, deixando para uma etapa posterior a questão do programa nuclear iraniano.
Veículos de imprensa americanos informaram que essa proposta não convenceu Trump por adiar as negociações sobre o programa nuclear da república islâmica.
As partes estabeleceram, no último dia 8 de abril, uma trégua inicial de duas semanas após 39 dias de confrontos, que posteriormente foi prorrogada de forma indefinida para dar margem às negociações entre Teerã e Washington.
No entanto, as conversas diretas entre ambos permanecem estagnadas diante da recusa iraniana em sentar para negociar enquanto os EUA mantiverem o cerco naval sobre seus portos e navios, uma medida com a qual buscam bloquear a economia iraniana.
O Irã, por sua vez, mantém o controle do tráfego no Estreito de Ormuz, a estratégica rota por onde transitava 20% do petróleo mundial, o que fez disparar o preço dos combustíveis.
Americanos desaprovam guerra
A rejeição da guerra no Irã por parte dos cidadãos dos Estados Unidos atingiu níveis de desaprovação comparáveis aos dos conflitos em Iraque e Vietnã, em meio à incerteza econômica e ao risco de ataques terroristas, revelou nesta sexta-feira, 1º, uma pesquisa conjunta do jornal The Washington Post, da rede de televisão ABC e do instituto Ipsos.
Ao todo, 61% dos entrevistados disseram que as ações militares de EUA e Israel contra o Irã foram um erro, e menos de 20% disseram acreditar no sucesso das operações, conforme anunciado pelo presidente americano, que argumenta que o país já venceu a guerra ao destruir as capacidades militares iranianas.
A porcentagem de quem não considera as ações militares no Irã bem-sucedidas chega a 39%, e 41% dos entrevistados disseram ser muito cedo para avaliar.
Apesar dos baixos índices de aprovação em geral, 79% dos republicanos apoiaram Trump, afirmando que ele tomou a decisão correta ao iniciar o conflito. Entre os eleitores independentes com tendência republicana, 52% disseram ser a favor do conflito e 46% se opuseram a ele, segundo The Washington Post.
Quando questionados se os EUA deveriam chegar a um acordo de paz definitivo com o Irã, mesmo em termos desfavoráveis ao país, 48% dos entrevistados disseram concordar, enquanto 46% preferem o aumento da pressão sobre o Irã para obter um acordo melhor, mesmo que isso significasse romper o cessar-fogo atual.
Outro dado é que 65% dos entrevistados não acredita que um acordo para encerrar a guerra impediria o Irã de desenvolver armas nucleares, um dos principais objetivos do conflito, segundo Trump.
Uma maioria de 61% afirmou que a ação militar contra o Irã aumenta a probabilidade de ataques terroristas contra americanos, e 56% acreditam que ela prejudica as relações de Washington com os aliados, que não foram consultados antes do início da guerra em 28 de fevereiro.
Além disso, 60% dos entrevistados na pesquisa afirmaram que o conflito aumenta o risco de a economia americana entrar em recessão.
O bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irã, em retaliação à guerra, interrompeu as cadeias de suprimentos dependentes da passagem estratégica para o transporte de mercadorias e petróleo bruto, por onde circula 20% do petróleo mundial. Isso elevou os preços dos hidrocarbonetos e mergulhou os mercados em incerteza.
A pesquisa, realizada com 2.560 adultos entre 24 e 28 de abril, também incluiu resultados de sondagens anteriores sobre os conflitos em Iraque, Afeganistão, Iugoslávia, Golfo Pérsico e Vietnã.