Economia

Com tensão pós-Fed e pré-Copom, Bolsa fecha em baixa de 0,64%


O Ibovespa mergulhou no meio da tarde às mínimas do dia enquanto emergia, do comunicado sobre a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), a indicação de que os juros de referência nos Estados Unidos estão a caminho de serem ajustados para cima, antes do que o mercado vinha precificando – o que se refletiu nos juros dos Treasuries, que foram às máximas da sessão.

Com Nova York em terreno negativo, o índice da B3, que pouco antes do anúncio esboçava recuperar os 130 mil pontos, firmou-se também em baixa, atingindo na mínima da sessão os 128.345,03 pontos durante a fala do presidente do Fed, Jerome Powell, tendo saído de máxima no dia a 130.283,18, com abertura a 130.091,33.

Ao final, o Ibovespa mostrava perda de 0,64%, a 129.259,49 pontos, com giro financeiro bem reforçado a R$ 93,9 bilhões, em dia de vencimento de opções sobre o índice.

“O Fed veio um pouco mais ‘hawkish’ do que se esperava, com a sinalização para 2023 sobre juros, de dois aumentos”, diz Scott Hodgson, gestor de renda variável na Galapagos Capital. “Agora, precisamos esperar pelo Powell, pra ver o que ele tem a dizer”, acrescenta.

E o que Powell disse corroborou a impressão de que o Federal Reserve parece agora mais preocupado com a inflação do que parecia ser o caso até a reunião anterior – ainda que o presidente do BC americano tenha ressalvado que “discutir elevação de juros agora seria altamente prematuro” e que o gráfico de pontos corresponde a “previsões individuais”, sem constituir um “plano geral do Fed”.

“Daremos sinalização antecipada antes de qualquer ajuste em nossa política”, disse o presidente do Fed. “Se virmos sinais de inflação ou expectativa acima da meta, estamos prontos a agir”, afirmou também Powell, após ter destacado que a inflação americana aumentou de forma “notável” nos últimos meses. “A inflação tem vindo acima das previsões”, reconheceu.

“Estive recentemente nos Estados Unidos e a coisa lá está em ‘vida normal’ – ‘out of the woods’ mesmo -, então é natural que o Fed mostre preocupação com a inflação, levando em conta a recuperação do consumo. A economia está voando e o mercado de trabalho, a partir do segundo semestre, deverá estar voando também”, observa Hodgson, acrescentando que, no Brasil, estamos uns seis meses atrás, em relação ao grau de normalização da atividade econômica. “Embora, na entrevista, Powell tenha tentado tirar a ênfase do gráfico de pontos, subiu de quatro para sete o número de integrantes que esperam um ‘hike’ de juros para 2022, com a mediana das estimativas para 2023 apontando dois aumentos”, observa Hodgson. “Powell pareceu mais ‘bullish’ sobre o mercado de trabalho, que tende a se recuperar mais no segundo semestre, com possível aumento da participação feminina na força de trabalho, à medida que as atividades nas escolas se normalizem e as crianças retornem às aulas”, acrescenta o gestor da Galapagos, que vê chance de, em setembro, o Fed endereçar um ‘guidance’ mais claro sobre a retirada de estímulos.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, a “azedada” do mercado com o Fed decorre mesmo das mudanças evidenciadas no “dot plot”, o gráfico de pontos com as expectativas dos integrantes do Fed para os juros de referência, mais “hawkish” nesta reunião. “Está acontecendo mais inflação, assim como mais crescimento, o que já abre caminho para aumento (de juros) em 2022 e, especialmente, 2023”, acrescenta Alves.

“Houve algumas surpresas, mudanças relevantes na decisão do BC americano, especialmente nas projeções sobre juros e inflação, considerando que, ainda que transitória, ela ficará acima da meta. Em relação à reunião de março, a maioria no Fed já vê agora alta de juros para 2023. A tendência é de que uma alta venha apenas no final do ano que vem ou em 2023, mas essas mudanças trazem novas informações que impactam o mundo inteiro, especialmente os investimentos”, diz Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, que espera referência sobre o nível de estímulos no encontro anual promovido pelo Fed em Jackson Hole.

Para Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos, é natural a decisão de ajuste nas carteiras em dia de aguardada sinalização do Fed, o que contribui para volatilidade nos ativos, mas o viés se mantém positivo para a Bolsa, mesmo com a perspectiva de Selic entre 6% e 6,5% no fechamento do ano – após a decisão do Federal Reserve, a atenção se volta para a decisão, após o fechamento do mercado, do Copom.

Na B3, as perdas nesta terça-feira de tensão pós-Fed e pré-Copom foram lideradas por Gerdau PN (-5,10%), CSN (-4,72%) e Embraer (-4,40%). Na face positiva do Ibovespa, destaque para Banco Inter, em alta de 5,49%, à frente de Sul América (+3,26%) e de Itaú PN (+1,99%), em dia positivo para as ações do setor financeiro. Vale ON fechou em baixa de 3,00%, refletindo como a siderurgia preocupações sobre a China, enquanto Petrobras PN e ON fecharam, respectivamente, em alta de 0,38% e 0,34%.

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