Com substituto de Barroso, 5 ministros do STF serão indicações de Lula

Ao longo de seus três mandatos, petista escolheu 11 magistrados para a corte

Lula e Barroso
Presidente Lula e o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal, anunciada em 9 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá em suas mãos a escolha de um substituto para o magistrado, cuja saída compulsória da corte ocorreria apenas em 2033, ao completar 75 anos.

Não há um prazo para que Lula anuncie a indicação, mas movimentações na Esplanada dos Ministérios e no Congresso buscam influenciar a escolha, que não deve passar de 2025, será a terceira do petista no atual mandato, sua 11ª na trajetória presidencial e a quinta na composição formada na corte.

+O que Barroso disse ao anunciar a aposentadoria

Domínio de Lula no STF

Com a aposentadoria de um magistrado, cabe ao presidente apresentar uma indicação para a vaga remanescente e submetê-la ao Senado Federal, que sabatina o candidato e, se dar maioria de votos pela aprovação, o qualifica para ocupar uma cadeira no STF — não há reprovação de um indicado desde 1894, no governo do marechal Floriano Peixoto. Na eventual conclusão deste processo, Lula terá cinco indicados seus no colegiado ainda neste governo. 

 Cármen Lúcia foi indicada pelo petista em 2006;

— Dias Toffoli, em 2009;

Cristiano Zanin, em 2023;

— Flávio Dino, em 2024;

— sucessor de Barroso, aposentado em 2025.

Considerando que o mandatário tem manifestado publicamente o desejo de concorrer à reeleição em 2026 e liderou as pesquisas de intenção de voto mais recentes para o pleito, um eventual novo mandato do petista ampliaria o domínio de suas indicações à corte.

O próximo mandato presidencial irá de janeiro de 2027 a dezembro de 2030 e contemplará três aposentadorias compulsórias — considerando que, ao contrário do que fez Barroso, os demais magistrados permaneçam no cargo até completar 75 anos.

— Luiz Fux, em abril de 2028;

— Cármen Lúcia, em abril de 2029;

— Gilmar Mendes, em dezembro de 2030.

A troca da ministra não altera os números de Lula, já que ela foi indicada por ele, mas Fux foi escolhido por Dilma Rousseff (PT), em 2013, e Gilmar Mendes, por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 2002.

Neste caso, o STF terá apenas Edson Fachin, indicado por Dilma em 2015, Alexandre de Moraes, por Michel Temer (MDB) em 2017, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Jair Bolsonaro (PL) em 2020 e 2021, respectivamente, como escolhas de outros mandatários. Os outros sete terão sido ungidos pelo atual presidente.

Flávio Dino no STF

Flávio Dino durante sua posse no STF: indicado mais recente de Lula

Petista chegará a 11 indicações

A indicação do sucessor de Barroso será a 11ª de Lula ao Supremo em sua trajetória no Palácio do Planalto, que durou de 2003 a 2010 e, novamente, desde janeiro de 2023. Ao todo, o petista já selecionou 10 magistrados:

— Cezar Peluso, em 2003 (aposentado em 2012);

— Ayres Britto, em 2003 (aposentado em 2012);

— Joaquim Barbosa, em 2003 (aposentado em 2014);

— Eros Grau, em 2004 (aposentado em 2010);

— Ricardo Lewandowski, em 2006 (aposentado em 2023);

— Cármen Lúcia, em 2006;

— Menezes Direito, em 2007 (morto em 2009);

— Dias Toffoli, em 2009;

— Cristiano Zanin, em 2023;

— Flávio Dino, em 2024.

Somente os ex-presidentes Getúlio Vargas (governou de 1930 a 1945 e, novamente, entre 1951 e 1954), com 21 indicações, Deodoro da Fonseca (entre 1889 e 1891), com 15, e Floriano Peixoto (entre 1891 e 1894), também com 15, nomearam mais ministros do Supremo do que o atual mandatário. Em comum, os três líderes da lista tiveram períodos de comando autocrático no país.

O ex-presidente Getúlio Vargas: 15 nomes indicados ao STF