Com pinceladas vigorosas, Van Gogh eternizou grãos de areia e uma cidadezinha francesa

 

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A arte já testou muitas vezes minhas emoções, mas a vez que fiquei mais impressionada foi em um cantinho do Museu Van Gogh, em Amsterdã. Em uma bancada quase ignorada pelo público fica um pequeno microscópio, semelhante aos que usávamos nas aulas de ciências da escola. Curiosa, fui tentar descobrir imediatamente o que era.

Vi um azul bonito e brilhante que me hipnotizou. No meio dessa cor, uns pequenos pontinhos chamaram a atenção. Fui procurar saber o que era. As partículas, quase imperceptíveis, eram grãos de areia de Arles, a cidadezinha mediterrânea da França que recebeu, para um período de pintura, Vicent Van Gogh (1853-1890), um dos maiores artistas de todos os tempos e que foi um dos papas do pós-impressionismo, além de um dos pioneiros da arte moderna.

A areia da praia de Arles ficou misturada à tinta usada por Van Gogh e está lá até hoje. Impressionante como algo tão pequeno pode ser tão marcante. Fiz uma enorme ginástica para conseguir encaixar a minúscula câmera do meu celular na lente do microscópio. Tirei todas as fotos que consegui para tentar eternizar aquele momento de choro e de intensa emoção.

Foi nessa cidade que ele se isolou de fevereiro de 1888 a maio de 1889 para pintar, tendo uma das fases mais produtivas e maravilhosas de sua carreira. Entre os cerca de 300 quadros que produziu como, por exemplo, “Vista de Arles com Lírios, “Girassóis, “Quarto em Arles”, o “Carteiro”, “Terraço do Café à Noite”, “A Casa Amarela”, entre outras obras-primas registradas na coluna Dois Quadros de Van Gogh para Medir seu Humor na Quarentena.

Na época, Van Gogh chegou a escrever para seu irmão, comentando o desejo de transformar aquela cidadezinha em um centro de artistas. Na ocasião, não conseguiu transformar esse sonho em realidade, mas Arles acabou ganhando o estrelato muitos anos depois, tornando-se “a” cidade de Van Gogh. Na época, apenas Paul Gauguin foi visitá-lo, mas a convivência dos dois era insuportável. As brigas resultaram em crise na qual o pintor cortou sua própria orelha: “Autorretrato com Orelha Cortada” (1889).

Arles está linda nesta época do ano, com seu céu azul, cores quentes e campos repletos de flores. Foi no retiro nessa cidadezinha francesa que o estilo de pintura de Van Gogh mudou, abandonando o pontilhado por pinceladas carregadas de tinta.

Quem visita o Museu Van Gogh em Amsterdã recebe o incentivo para pegar uma bicicleta e ir descobrir as paisagens de Arles. O roteiro de bike sugerido também está disponível na Internet. A rota de “Brabant Van Gogh” é uma das mais interessantes da Europa. Tem 100 quilômetros para os mais dispostos, mas também oferece dez rotas mais curtas para visita aos locais que inspiraram Van Gogh. O aplicativo Routes in Brabant oferece orientações para o passeio e incentiva a conexão de turistas com moradores locais, que sabem melhor do que ninguém as histórias de Van Gogh. O app tem geolocalização para mostrar de forma online fotos históricas, cartões postais e obras de arte de Vincent van Gogh. É possível também ouvir fragmentos das cartas de Van Gogh ao seu irmão, tornando a experiencia de cada local ainda mais interessante.

Apesar de Arles não ter nenhuma pintura de Van Gogh, a cidade se mantém como cenário vivo, com muitos locais que inspiraram o artista. Obviamente, para despertar o turismo, a maioria dos lugares foi renomeada: L’Espace Van Gogh, Van Gogh Walk, Café na Place du Forum (atual Café Van Gogh), Pont Van Gogh (Pont de Langlois) e Fondation Vicent Van Gogh.

 

Seja na arte ou no turismo, Van Gogh continua inspirando até hoje uma legião de fãs. Esta semana, quem ficou novamente impressionada com ele foi Sonia Favaretto. Ela é uma grande fã de Van Gogh e adorou descobrir a releitura feita pelo cartunista iraniano Alireza Karimi Moghaddam. Ele compartilha sua admiração por Van Gogh ao retratá-lo em diferentes situações e ambientes semelhantes aos que foram registrados em seus quadros. O cartunista diz que todos que amam Van Gogh são apaixonados, amantes dos seres humanos e vivem em paz. Que assim seja a vida: leve, colorida, divertida e gostosa!

Escreva para sugerir um tema ou para contar algo sobre seu artista preferido. Adoro boas histórias! (Instagram Keka Consiglio).

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Sobre o autor

Keka Consiglio é artista plástica, jornalista e empresária do setor de comunicação. Apaixonada por arte desde criança quando começou a estudar o tema, entregou-se de vez a esse universo ao fazer cursos e visitar museus e exposições, tanto no Brasil como no exterior. Desenvolve uma arte livre, criativa, repleta de cores e de elementos baseados em temas cotidianos, tendo a sustentabilidade presente em todo o seu processo de criação. Curiosa e motivada por desafios, vive e trabalha em São Paulo, produzindo suas coleções a partir de dois estúdios. Instagram: @keka_consiglio_artista. Site: www.kekaconsiglio.com.br


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