Com o impulso proporcionado pelo exterior, o Ibovespa manteve viés de alta ao longo desta quarta-feira, tendo alternado ganhos e perdas nos últimos quatro fechamentos, na estreita faixa de 100 a 101 mil pontos. Assim, o índice da B3 busca se reaproximar de ponto intermediário na faixa de flutuação de 99 mil a 103 mil pontos que tem prevalecido desde o começo de agosto, mês em que o Ibovespa acumulou perda de 3,44%, o primeiro de leitura negativa após a retomada iniciada em abril.

Nesta quarta, fechou em alta de 1,24%, aos 101.292,05 pontos, avançando até aqui 1,94% em setembro, com perdas no ano a 12,41%.

O giro financeiro, moderado, ficou em R$ 23,5 bilhões na sessão, em que foram revertidas as perdas do dia anterior, de 1,18%, para acumular até aqui leve ganho de 0,05% na semana.

Após três dias de aversão a risco desde o exterior, liderada por forte correção nas ações de tecnologia em Nova York, o respiro nos ativos globais chegou também à B3 em sessão de poucos catalisadores domésticos que contribuíssem para dar direção aos negócios.

Assim, o Ibovespa saiu de mínima na abertura a 100.050,43 pontos e chegou, na máxima, aos 101.578,01 pontos, reaproximada por volta das 16h30, quando os índices de NY, especialmente o Nasdaq, ampliavam ganhos. Dessa forma, correlacionado aos movimentos observados na capital financeira global, o Ibovespa não caiu nesta quarta abaixo de 100 mil no intradia, pela primeira vez desde 3 de setembro, o equivalente a quatro sessões. Desde 31 de agosto, quando fechou aos 99.369,15 pontos, o índice oscilou para baixo dos seis dígitos durante cinco de sete sessões no intervalo.

“Está faltando ‘driver’ doméstico, notícia nova que tire o Ibovespa desta faixa lateral em que tem se mantido – na ausência disso, surfamos hoje com o exterior. Muito em relação à crise e à situação fiscal já foi para o preço. E quanto à vacina, ainda que problemas tenham aparecido no teste da AstraZeneca, sabe-se que não é a única opção, então não chega a preocupar tanto”, diz Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos, destacando também a leitura do IPCA, bem perto do esperado.

Na reversão parcial das perdas da abertura da semana, os ganhos na B3 nesta quarta-feira foram bem distribuídos por empresas e setores, com destaque para o de commodities, de grande peso na composição do índice, o que ajudou a compensar o fraco desempenho das ações de grandes bancos, muito atrasadas no ano e sem sinal único no fechamento do dia – ao fim, Bradesco ON (+0,25%) e Itaú PN (+0,12%) obtiveram leve ganho.

O setor de siderurgia foi o ponto alto do dia, com Usiminas em avanço de 6,36%, maior ganho da sessão na carteira Ibovespa, logo à frente de CSN (+4,98%) e Gerdau Metalúrgica (+4,93%). No fechamento, Vale ON apontava alta de 1,23%, Petrobras PN, de 2,11%, e a ON, de 2,22%, favorecidas por reversão parcial das fortes perdas do dia anterior na commodity fóssil. No lado negativo, Cogna cedeu nesta quarta 4,07%, IRB, 3,12%, e Gol, 2,70%.

As ações da AstraZeneca chegaram a enfrentar pressão de vendas na noite de terça, com a notícia de que uma séria intercorrência em participante de teste com a vacina desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford levou à interrupção da fase 3 de experimento clínico. A vacina, uma das que estão em estágio mais avançado de desenvolvimento, é uma das esperanças de que uma alternativa de imunização esteja disponível em 2021.

Contudo, em desdobramento positivo para a retomada da exposição a risco nos mercados globais nesta quarta-feira, o noticiário sobre a vacina foi favorável, revertendo os temores da noite anterior. De acordo com fontes próximas à questão citadas pelo Financial Times, os testes clínicos da AstraZeneca podem voltar já na próxima semana, com a revisão sobre as reações adversas que teriam ocorrido em participante. A suspensão foi descrita como “temporária” e uma “ação de rotina”. A paciente do teste poderia ter alta ainda nesta quarta-feira, segundo Pascal Soriot, CEO da empresa farmacêutica.