Economia

Com exterior no foco, juros reduzem ritmo de queda e fecham perto das máximas

O mercado ficou um pouco mais cauteloso à tarde, nesta terça-feira, 18, com os juros futuros rondando as máximas durante a etapa vespertina. Ainda assim, fecharam a sessão regular em leve queda na ponta longa, enquanto os vencimentos curtos terminaram estáveis. Os eventos no exterior foram determinantes para os negócios. As taxas locais espelharam o movimento de suas pares no exterior, que também perderam fôlego de baixa ao longo do dia após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que teve uma conversa por telefone “muito boa” com o presidente chinês, Xi Jinping. As declarações acabaram por aplacar um pouco do efeito trazido pelas declarações de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE). Ele disse que mais cortes de juros continuam fazendo parte das ferramentas da instituição.

No fechamento da sessão regular, mesmo com as taxas nas máximas, ou perto delas, a curva perdia inclinação. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a 6,020%, estável ante o ajuste de segunda e a do DI para janeiro de 2023 encerrou a 6,96%, de 7,001% segunda no ajuste. A do DI para janeiro de 2025 passou de 7,561% para 7,500%. Na etapa estendida, já exibiam viés de alta.

A fala de Draghi, em pronunciamento no segundo dia do fórum anual do BCE, em Sintra, Portugal, foi o principal assunto do dia para os mercados, mas o efeito benigno sobre a curva local acabou sendo diluído, principalmente após a declarações de Trump. Estas trouxeram algum alívio às preocupações com a guerra comercial. “Quando Trump indicou que poderia chegar a um acordo com China no G20 as taxas voltaram bem. Grande parte do movimento de fechamento do juro foi junto com o externo”, disse um diretor de Tesouraria. Trump afirmou, em relação a Xi Jinping, que “teremos uma reunião prolongada na próxima semana no G-20, no Japão”.

Na curva dos Treasuries, a taxa da T-Note de dez anos, que nas mínimas chegou ao patamar de 2,01%, perto das 17h30 voltava a 2,058%, ainda longe, porém, do nível de segunda (2,08%).

Nesta véspera da decisão do Federal Reserve, a fala de Trump não muda a percepção de que o mundo passa por uma onda “dovish” nas políticas monetárias, que deve ser reforçada pelo comunicado do Federal Reserve nesta quarta-feira, mas, de todo modo, dá argumento para o mercado realizar lucros, ainda mais com as taxas atualmente em pisos históricos.

Na ponta curta, as taxas também mostravam queda pela manhã, mas passaram a oscilar perto da estabilidade após notícia de que o governo teria decidido reduzir a meta de inflação em 2022 para 3,5%, trazida pela agência Bloomberg. O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve decidir sobre o assunto em sua reunião da próxima semana. Caso se confirme a decisão, o mercado pode ver espaço menor para recuo da Selic. Os investidores também estão na expectativa pelo comunicado do Copom, que deve sinalizar nesta quarta sobre a intenção de cortar a taxa básica no segundo semestre.

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