Economia

Com exterior, Bolsa engata nova sessão positiva e fecha em alta de 7,50%

Crédito: BRUNO ROCHA

Após ganho de 9,69% no dia anterior, o Ibovespa engatou nesta quarta-feira, 25, a segunda sessão positiva, algo que não acontecia de forma consecutiva desde os dias 28 de fevereiro e 2 de março, sexta e segunda-feira posteriores ao carnaval, quando a Bolsa estava na faixa de 104,1 mil a 106,6 mil pontos naqueles respectivos fechamentos, embora já em tendência de declínio firmada a partir da quarta de cinzas. Hoje, o principal índice da B3 fechou em alta de 7,50%, a 74.955,57 pontos, perdendo parte do fôlego no fim da sessão, em linha com o observado em Nova York. Nesta quarta-feira, o Ibovespa oscilou entre mínima de 69.359,58 e máxima de 76.713,93 pontos, quando apontava ganho de 11,61%.

O giro financeiro totalizou R$ 28,7 bilhões, mostrando-se um pouco mais acomodado nas últimas três sessões, após a acentuação observada desde o carnaval, quando a volatilidade avançou com a disseminação do coronavírus fora da China. Na ponta positiva, Gol, uma das ações mais depreciadas pelo coronavírus, subiu hoje 35,06%, seguida por Braskem, em alta de 31,75% no fechamento. Entre as blue chips, Petrobras PN avançou 8,08% e a ON, 8,02%, com Vale ON em alta de 8,53% no encerramento da sessão. Apenas três ações do Ibovespa registraram perdas no dia: Carrefour (-4,36%) e Pão de Açúcar (-2,78%), que haviam subido em sessões recentes com o aumento da circulação de clientes nos supermercados, e Telefônica Brasil (-1,79%)

Com os desempenhos positivos nessas duas últimas sessões, o Ibovespa amplia os ganhos a 11,76% na semana, após uma sequência negativa de cinco semanas. No mês, as perdas seguem agora em 28,05% e, no ano, em 35,18%. Apesar da forte progressão acumulada na terça e quarta-feira, o índice permanece abaixo do nível de fechamento do dia 13 de março, aos 82.677,91 pontos. O nível de hoje é o maior desde o dia 17, terça da semana passada, quando o Ibovespa encerrou aos 74.617,24 pontos.

Assim como ontem, o principal catalisador para as compras de ações na B3 veio de fora: o acordo no Senado dos EUA para o pacote de US$ 2 trilhões em estímulos à economia, o programa sem precedentes, de 750 bilhões de euros, adotado pela Alemanha e sinais de que os países da zona do euro podem recorrer ao Mecanismo Europeu de Estabilidade para combater as consequências do coronavírus. Nesse contexto positivo, os índices de ações em Londres e Frankfurt fecharam o dia com ganhos acima de 4% e, em Nova York, o Dow Jones, embora tenha limitado os ganhos observados mais cedo, encerrou a sessão em alta de 2,39%, após ter avançado ontem mais de 11%, no que foi seu maior ganho diário desde 1933.

“Há muita coisa positiva acontecendo no exterior, o que contribui para minimizar os ruídos por aqui”, diz Victor Lima, economista da Toro Investimentos. Em um primeiro momento, o mercado parece ter reagido com indiferença ao discurso de ontem à noite do presidente Jair Bolsonaro, em cadeia de rádio e TV, no qual atacou diretamente as iniciativas tomadas por estados e municípios para conter a progressão da covid-19.

“Bolsonaro buscou marcar posição, dissociando a imagem pessoal de problemas sobre os quais não terá como agir individualmente”, observa Marcel Zambello, analista da Necton, chamando atenção para o desgaste político que tende a emergir de uma prolongada paralisia econômica, que afetará a renda e o emprego da população. “O ruído político existe, e será preciso observar agora como evoluirá: se permanecerá na retórica ou se terá efeitos concretos”, diz Lima, da Toro.

Nos EUA, o presidente Donald Trump sinalizou esta semana que pretende liderar um movimento de normalização da atividade para que, em torno do Domingo de Páscoa, os americanos voltem ao trabalho – no momento, o coronavírus ganha ímpeto no país, o que levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a manifestar preocupação de que os EUA venham a ser o novo epicentro da doença. Hoje cedo, Bolsonaro confirmou em Brasília que o seu pensamento está em linha com o de Trump – ou melhor, conforme disse Bolsonaro, o de Trump está em linha com o dele.

Enquanto não se tem claro quando e como será adotada uma estratégia de saída da quarentena, o cenário mais imediato parece ser o de estresse político, especialmente entre a Presidência e os governos estaduais. Além do bate-boca entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em reunião entre o presidente e os governadores do Sudeste, um aliado, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), rompeu hoje com o ex-capitão. “Na política como na vida, ignorância não é virtude”, disse Caiado, médico, ex-líder da UDR (União Democrática Ruralista), citando o ex-presidente americano Barack Obama – em referência feita pelo democrata a Trump em 2016.

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