Com economia mais forte, BCE mantém plano de dar fim à compra de títulos

Com economia mais forte, BCE mantém plano de dar fim à compra de títulos

Encorajados pela boa saúde econômica da zona do euro, os líderes do Banco Central Europeu (BCE) estão mais confiantes na possibilidade de reduzir seu programa de compra maciça de títulos a partir do começo do ano que vem – indica a minuta da reunião do mês passado.

Alguns deles argumentaram que “as condições estão cada vez mais chegando a lugares que oferecem oportunidades de reduzir” a compra de ativos, conhecida como QE (relaxamento quantitativo), diz o documento.

No começo desta semana, o economista-chefe do BCE, Peter Praet, pareceu demonstrar mais cautela, afirmando que o banco pode tomar um caminho mais longo do que o esperado por investidores para dar fim ao esquema maciço de investimento, devido à inflação persistentemente baixa.

O BCE estabeleceu taxas de juros historicamente baixas e compra de 60 bilhões de euros em títulos por mês, em uma tentativa de impulsionar a alta dos preços – acumulando, hoje, mais de 2 trilhões de euros.

Os tomadores de decisão acreditam que essas medidas monetárias estimulam os bancos a oferecerem empréstimos a empresas e consumidores para hipotecas, consumo e investimento, estimulando o crescimento econômico e a inflação em direção à meta do banco central – de pouco abaixo de 2%.

O crescimento econômico já é uma realidade na região de moeda única de 19 países, mas o BCE tem tido dificuldades de entender por que os preços não acompanharam a alta.

Suas previsões internacionais para setembro estimam uma inflação de 1,5% em 2017, 1,2% no ano que vem e 1,5% em 2019.

Membros do conselho de governadores argumentam, porém, que chegou o momento de reduzir a compra de títulos, enquanto o banco precisa tomar uma decisão antes do encerramento do programa, em dezembro.

“Houve indicativos de que a expansão econômica estava ficando cada vez mais autossustentável”, sem a necessidade de tanto apoio do órgão, alegaram alguns membros.

As duas principais questões são quando o BCE vai começar a reduzir a aquisição e quão explícitos serão seus planos.

Observadores esperam há muito tempo que o BCE siga o exemplo do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) e apresente um cronograma detalhado para a redução da compra de títulos, passo a passo, a partir de janeiro.

Comentários recentes de conselheiros sugerem, porém, que o banco pode reduzir as compras, anunciando um passo de cada vez e medindo o impacto econômico antes de voltar a se mover.

“Já que a economia continuou a funcionar bem, o BCE pode achar justo aliviar a pressão do pedal da política monetária”, opinou a analista da Capital Economics, Jennifer McKeown.

Enquanto isso, temores recentes de que a apreciação do euro diante de outras moedas pudesse frear o crescimento e a inflação recuaram, eliminando mais um obstáculo para o QE.

As minutas confirmam as promessas do presidente do BCE, Mario Draghi, no mês passado, quando disse que “a maior parte das decisões” sobre a compra de títulos seria tomada na reunião do conselho de governadores em 26 de outubro – apesar de as negociações sobre os tipos de mudanças ainda serem “bem preliminares”.