Com bancos na ponta positiva, Ibovespa fecha em alta de 1,09%
O Ibovespa parecia a caminho de manter a linha dos 110 mil pontos pela terceira sessão consecutiva, tendo chegado hoje aos 107.319,15 pontos na mínima do dia, em meio à expectativa para a votação da PEC Emergencial, amanhã, e a reação do mercado à decisão do governo de elevar, ontem à noite, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos. Embora enfraquecido ao longo da sessão, rumor de que o presidente Jair Bolsonaro faria recuo tático, anunciando aumento menor do que o inicialmente indicado (de 20% para 25%) na alíquota de CSLL dos bancos, contribuiu para manter o segmento entre os maiores vencedores do dia, com ganhos de 4,04% para Itaú PN e de 3,84% para BB ON, as duas maiores altas do Ibovespa. Em linha com índices de metais no exterior, destaque ainda para mineração e siderurgia, com Vale ON em alta de 3,07% e CSN de 2,56%.
Em direção ao fim da sessão, o Ibovespa mostrou fôlego para recuperar não apenas a linha de 111 mil pontos, mas também a de 112 mil, tendo chegado na máxima aos 112.428,08 pontos, em alta de 1,90%, em sessão bastante volátil, com oscilação de mais de 5 mil pontos entre o piso e o teto do dia. No fechamento, o ganho foi moderado a 1,09%, a 111.539,80 pontos, ainda abaixo do nível de encerramento da quinta-feira, quando cedeu 2,95%. Contudo, emendou o segundo dia de recuperação, mesmo que parcial, após outro tombo, de 1,98%, na sexta-feira. Reforçado, o giro financeiro foi de R$ 50,3 bilhões na sessão e, na semana, o Ibovespa acumula ganho de 1,37%, com perdas no ano a 6,28%.
Hoje, a virada para o positivo se consolidou pouco antes das 16h, quando o Ibovespa passou a renovar máximas. Entre 15h57 e 15h58, teve variação de 725 pontos, saindo de 111.240,18 para chegar a 111.965,66 pontos, então no pico da sessão, mas nos minutos seguintes se acomodou abaixo dos 111 mil pontos. A mudança de direção ganhou densidade pouco depois, com declaração do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), à Febraban, de que não é bom elevar alíquota de imposto fora da reforma tributária. Parte do mercado chegou a olhar para o aumento como um ensaio para outras elevações de tributos pelo governo, a partir de segmento que, pelo histórico de rentabilidade, estaria entre os menos queridos da população.
O presidente da Febraban, Isaac Sidney, afirmou em vídeo gravado pela instituição, ao qual o Broadcast teve acesso, que deposita confiança nas palavras do ministro da Economia, Paulo Guedes. Sidney diz ter recebido ligação de Guedes hoje, às 7h, para esclarecer o anúncio feito ontem à noite: a elevação de 20% para 25% na alíquota da CSLL para bancos. A medida tem validade por seis meses e vai exigir um “sacrifício” do setor, segundo o executivo.
“Na ligação, ele me esclareceu do que se tratava, dizendo que estamos diante de um momento em que, mais uma vez, o setor bancário é chamado a contribuir, e enfatizou que se trata de aumento temporário e circunstancial de tributo”, disse Sidney.
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A agência de classificação de risco Moody’s considera a elevação da carga tributária do setor financeiro um “evento negativo” para o crédito e a rentabilidade dos bancos brasileiros em 2021. “Impostos mais elevados aumentarão a pressão sobre a rentabilidade dos bancos brasileiros em 2021, que já vem sendo desafiada por taxas de juros baixas e pelas incertezas em relação ao impacto da pandemia sobre os negócios”, afirmou a vice-presidente sênior da Moody’s, Ceres Lisboa, em nota.
“Ao contrário de tudo o que foi especulado, a medida vai valer a partir de julho e irá durar seis meses. Ou seja, impacto limitado no resultado dos bancos que, segundo boa parte dos analistas fundamentalistas do setor financeiro, já foi refletido em ‘valuation’ na queda de ontem, sem falar do efeito compensado dos maiores créditos tributários”, diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.
*Com André Ítalo Rocha e Aline Bronzati
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