Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

Por Nayara Figueiredo e Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – O Plano Safra 2022/23 vai ofertar um recorde de 340,88 bilhões de reais em financiamentos para produtores brasileiros, alta de 36% ante a temporada anterior, informou o Ministério da Agricultura nesta quarta-feira, que avalia que o programa poderá ajudar o país a elevar a colheita de grãos para 300 milhões de toneladas.

Essa marca representaria um crescimento de quase 30 milhões de toneladas na comparação com o ciclo anterior, garantindo oferta para o país atender demandas internas e do exterior, disse o ministro da Agricultura, Marcos Montes.

“Com o Plano Safra 22/23, o Brasil faz sua parte para atender a demanda mundial por alimentos…”, afirmou ele, em cerimônia do lançamento do programa.

“Com esse plano temos tudo para colher uma meta da nossa ministra Tereza (ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina), de 300 milhões de tonelada de grãos na próxima safra”, acrescentou, ao citar sua antecessora que deixou a pasta para disputar as eleições.

O total de recursos para o principal programa de financiamento da agricultura do país cresceu em momento de custos agrícolas mais altos, por questões relacionada à guerra na Ucrânia e à oferta mais restrita de fertilizantes e defensivos.

O maior volume de crédito aliado a juros abaixo da taxa básica (Selic) atende a pleitos do setor e já é visto por alguns representantes da cadeia como uma surpresa positiva.

A poucos meses da eleição presidencial, na qual Jair Bolsonaro vai tentar se reeleger, o programa manteve o foco nos financiamentos dos pequenos e médios produtores, que têm juros mais baixos e subsidiados pelo Tesouro em algumas modalidades.

“Com a taxa básica de juros da economia em 13,25% atualmente, buscou-se preservar, prioritariamente, elevações menores para os beneficiários do Pronaf (agricultor familiar) e do Pronamp (médio produtor), garantindo financiamento adequado para esses públicos”, disse o ministério.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Bastos, destacou que todas as taxas de juros do plano estão abaixo da Selic, com crédito ainda mais competitivo para os pequenos e médios agricultores.

A agricultura familiar terá acréscimo de 36% no programa de financiamento (Pronaf) em 2022/23, para 53,6 bilhões de reais, com juros entre 5% e 6% ao ano. Já médios produtores terão 43,75 bilhões, alta de 28%, com juros de 8% ao ano.

Contudo, os recursos do plano com juros controlados terão alta menor, de 18%, para 195,7 bilhões de reais; enquanto os com juros livres somarão 145,18 bilhões de reais, avanço de 69%.

Produtores maiores e cooperativas terão 243,4 bilhões de reais para empréstimo com juros de 12% ao ano, também abaixo da Selic.

Do total, os financiamentos de custeio em 22/23 terão 246,28 bilhões de reais (+39% na comparação anual) e empréstimos para investimentos terão 94,6 bilhões de reais disponibilizados (+29%).

O governo disse que elevará de 50% para 70% a possibilidade de uso de recursos de Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) para aquisição de direitos creditórios, o que deve elevar a fatia de privados no financiamento do agronegócio.

Já o Programa ABC, que financia recuperação de áreas e pastagens degradadas, terá 6,19 bilhões de reais, com juros de 7% a 8,5% ao ano. O plano que financia armazéns agrícolas (PCA) terá 5,13 bilhão de reais em 2022/23, com taxas de 7%-8,5% ao ano.

RECORDE NO BB

Também presente no lançamento do novo Plano Safra, o presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, disse que a instituição terá 200 bilhões de reais em recursos para financiamento agropecuário em 2022/23, avanço de 48% em relação ao montante liberado no ciclo anterior.

“Não faltarão recursos para que os produtores rurais consigam produzir a safra recorde… de 300 milhões de toneladas de grãos. Juntos faremos do Plano Safra o maior de todos os tempos”, afirmou.

No setor agrícola, o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, que representa as cooperativas brasileiras, avaliou que “o plano está muito melhor do que o esperado”, em referência ao programa do governo federal.

O especialista em concessão de crédito e CEO da TerraMagna, Bernardo Fabiani, afirmou que as expectativas do setor agrícola tanto em volume de recursos quanto em taxa de juros foram “muito atendidas”.

“Houve uma depreciação no poder de compra dos produtores causada pelo aumento nos custos… o volume de capital necessário para fazer girar a nova safra é muito maior, por isso foi importante a ampliação de recursos no plano, mas a taxa de juros foi o principal ponto surpreendente”, afirmou o executivo da empresa concessão de crédito rural.

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