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Com 0,5% de visão, Yeltsin consegue correr sem guia e fatura o ouro no Parapan

Na estreia no Parapan de Lima, no Peru, no último final de semana, o fundista brasileiro Yeltsin Jacques viu a vitória escapar na última reta dos 5.000 metros e ficou com o bronze. Nos 1.500, os metros finais serviram para ele dar uma arrancada de filme e conquistar a medalha de ouro, deixando o norte-americano Joel Gomez para trás.

O curioso na vitória é que Yeltsin tem visão muito baixa, de 0,5%. Ele enxerga somente vultos e não tem visão lateral. “Foi na raça. Fiquei sabendo que ganhei porque perguntei depois. Não sabia o que tinha acontecido. Consegui ver o reflexo de quando fui ultrapassado um pouco antes. Mas no final ainda tinha perna. Ouvi gritarem ‘vai que dá’ e acreditei. Estou treinando para maratona, estava com fôlego. Eles travaram no final e eu cheguei girando as pernas”, afirmou.

Dois dias antes, Yeltsin também tinha perna, mas o atleta-guia Rafael Santeramo sentiu a pressão da estreia em Parapan e passou mal. A dupla teve de diminuir o ritmo e ficou em terceiro, no episódio que Yeltsin acabou ajudando quem era para ajudá-lo.

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Desta vez Yeltsin foi sozinho e precisou correr uns metros a mais do que a maioria. “Na curva final ele quase abriu até a raia quatro”, comentou Rafael, que gritava para seu parceiro na beira da pista. “Corri 1.600 metros na verdade”, disse o bicampeão da prova aos risos – venceu também em Toronto-2015.

“Percebi que fiz um ziguezague porque fiquei sem referência. Precisaria de guia nessa prova também. Minha visão está muito baixa. O Rafael aqueceu comigo, entrou comigo, me ajudou com a roupa. A partir do momento que ele teve de sair, o venezuelano e o equatoriano que estavam na prova me ajudaram a posicionar. Depois da largada, só enxergo a borda da pista por causa do reflexo das luzes. Vou seguindo isso”, explicou o medalhista, que também foi ouro em Toronto.

TÁ RUSSO! – Yeltsin foi batizado em homenagem ao ex-presidente russo Boris Yeltsin. O pai do atleta paralímpico foi militar e era fã do homem que acabou com a União Soviética. “Meu pai dizia que o Boris era um homem muito corajoso. Eu, hoje depois de ler muito sobre a história do Boris, vi que ele era muito corajoso por causa da vodca também, né? Por isso subia na frente dos tanques”, brincou.

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Satisfeito com as duas medalhas em Lima, Yeltsin agora voltará o foco para a maratona. Ele está treinando em busca do índice para a prova que estará nos Jogos Paralímpicos de Tóquio-2020 – precisará de guia para competir. O atleta acredita que por enquanto ainda seguirá correndo os 1.500 metros sem uma pessoa para conduzi-lo. Mas sabe que dentro de alguns anos não poderá mais. “Ainda dá. Mas infelizmente a patologia… Como forço muito para tentar enxergar, a tendência a longo prazo é desgastar e ficar zero”, afirmou sobre o problema que carrega desde o nascimento.

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