Colombianos renovam Congresso antes das eleições presidenciais que podem ser históricas

Colombianos renovam Congresso antes das eleições presidenciais que podem ser históricas

Os colombianos elegem, neste domingo (13), um novo Congresso e definem quais os candidatos que irão enfrentar o senador e ex-guerrilheiro Gustavo Petro nas presidenciais de 29 de maio, a primeira em que a esquerda é dada como favorita.

Quase 39 milhões de pessoas estão habilitadas para eleger as duas câmaras do Parlamento (quase 300 assentos) e participar das primárias e das consultas dos partidas. O pleito irá começar às 10 horas (horário de Brasília) e irá terminar às 18:00 (horário de Brasília).

No entanto, as expectativas se concentram mais na definição dos candidatos presidenciais do que na composição do próxima Congresso, onde a abstenção tem rondado cerca de 50% em um país onde o voto é facultativo.

“É provável que o debate pelas primárias tenha sublimado a discussão em torno do Congresso”, diz à AFP o analista político Alejo Vargas, da Universidade Nacional.

A esquerda prevê nominar Petro como seu candidato, enquanto a coalizões de direita e centro determinaram suas cartas em um baralho de dez nomes.

Petro, ex-prefeito de Bogotá, de 61 anos, que deixou as armas em 1990, lidera por ampla margem as intenções de voto em todas as pesquisas.

Ainda eclipsadas pelas consultas partidárias, as legislativas irão medir a disposição dos eleitores em relação a 29 de maio, quando eles voltam às urnas para decidir o sucessor do impopular Iván Duque, que completa, em 7 de agosto seu mandato de 4 anos sem direito à reeleição.

E sobre a mesa, várias preocupações: o empobrecimento e desemprego desencadeados pela pandemia, o aumento da violência que se seguiu ao acordo de paz com a extinta FARC – também alvo de ataques após o seu desarmamento – e a insegurança nas grandes cidades.

Além disso, ainda ressoam ecos dos inúmeros protestos do ano passado, que foram duramente reprimidos e destaparam um profundo mal-estar social.

Dominado por forças de direita e partidos tradicionais, o Congresso é hoje a instituição mais desacreditada do país. Escândalos de corrupção o levaram à desaprovação: 86% dos colombianos tinham uma imagem desfavorável dele até o ano passado, segundo a pesquisa Invamer.

O Centro Democrático, partido no poder e mais votado para o Senado em 2018, está exposto a punições nas urnas pelo desempenho de Duque, cuja imagem negativa gira em torno de 70%.

Ao contrário das últimas legislativas, desta vez a direita não tem seu maior eleitor: o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), o político mais influente deste século e que teve que renunciar ao Senado após obter o maior número de votos em 2018 devido a seus problemas com a lei por suposta adulteração de testemunhas.