Os colombianos protestavam nesta quinta-feira (21) contra o governo de Iván Duque, que enfrenta a maior manifestação contra si no momento em que sua popularidade está em baixa, passados 15 meses de sua posse.

O variado grupo de entidades organizadoras dos protestos, que inclui sindicatos, estudantes, indígenas, ambientalistas e opositores de Duque, convocou uma “greve nacional” nas principais cidades da Colômbia contra as políticas econômicas, sociais e de segurança do presidente conservador.

“É um acúmulo de situações que esperamos que, assim que estiverem em uma grande mesa nacional de negociações, possam ser revistas depois desta jornada de greve”, disse à AFP o presidente da Confederação Geral do Trabalho, Julio Roberto Gomez.

Em Bogotá, foi observada uma redução incomum no fluxo de veículos e de pedestres pela manhã. Apesar de uma série de bloqueios no sistema de transportes de massa e nas estradas, as autoridades se referiram a uma “tranquilidade” rotineira.

Na capital, unidades militares foram implantadas a pedido do gabinete do prefeito para proteger “instalações estratégicas”.

Outras cidades seguiram a mesma trilha, o que causou a preocupação do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

“O Escritório recebeu informes sobre um aumento da presença de membros do Exército nas ruas de algumas cidades da Colômbia nos dias anteriores à manifestação”, indicou nesta quarta-feira o escritório local de direitos humanos do organismo internacional, em um comunicado.

“Os Estados devem limitar e condicionar o uso de forças militares para controlar ao máximo os distúrbios internos”, acrescenta a agência.

A organização chamou a atenção também para mensagens “de procedência não identificada” que “estigmatizam o protesto social” e outras que “convocam o uso da violência” nas mobilizações.

Desde o fim de semana foram observadas dezenas de militares nas ruas do centro de Bogotá, por onde os manifestantes costumam transitar. Nas redes sociais, os ativistas denunciam uma “militarização” para intimidar o protesto social.

As centrais dos trabalhadores convocaram o protesto social no mês passado e, desde então, uniram-se a vários setores que medirão forças com Duque, incapaz de consolidar uma maioria no Congresso e ante os duros reveses de seu partido, o Centro Democrático de Direita, nas eleições locais de outubro.

Em um discurso transmitido pela televisão, o presidente reconheceu na quarta-feira (20) a legitimidade de algumas reivindicações, embora tenha reiterado que há uma campanha baseada em “mentiras” contra seu governo e que busca desencadear violência.

“Embora reconheçamos o valor do protesto pacífico, também garantiremos a ordem”, afirmou.

O movimento trabalhista rejeita as reformas do governo para tornar o mercado de trabalho mais flexível e mudar o sistema previdenciário, os indígenas exigem proteção após o assassinato de 134 membros da comunidade desde que Duque assumiu o cargo, e os estudantes querem mais recursos para a educação pública.

Todos questionam as políticas econômicas do governo, sua política de segurança concentrada na luta contra o narcotráfico e sua tentativa de modificar o pacto de paz que levou ao desarmamento da antiga guerrilha das Farc em 2016.

A convocação da greve nacional gerou uma expectativa especial em relação à revolta social que, sem um denominador comum, também atinge Bolívia, Chile e Equador.

A Colômbia ordenou o fechamento de suas fronteiras até sexta-feira por questões de segurança.