O novo governo da Colômbia, sob a liderança de Abelardo De La Espriella, autorizou operações militares conjuntas com os Estados Unidos para combater o narcotráfico, conforme anunciado nesta quarta-feira (12) pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth. Simultaneamente, as forças colombianas realizaram seu primeiro bombardeio aéreo contra criminosos, resultando em mortos e feridos, marcando uma guinada na política de segurança do país.
- A Colômbia autorizou operações militares conjuntas com os EUA para combater o narcotráfico e realizou seu primeiro bombardeio aéreo sob o governo de Abelardo De La Espriella.
- O país se uniu à Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis (A-Triple-C), uma iniciativa lançada pelos Estados Unidos para fortalecer a cooperação regional de defesa.
- A operação de bombardeio, direcionada a guerrilheiros do ELN, resultou em mortos e feridos, e levou ao deslocamento de famílias em Norte de Santander.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, expressou orgulho ao anunciar que a Colômbia se tornou o 19º membro da A-Triple-C, a Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis. Esta iniciativa multinacional de segurança foi lançada pelo então presidente Donald Trump com o objetivo de combater cartéis de drogas e fortalecer a cooperação regional de defesa no Hemisfério Ocidental.
Segundo o chefe do Pentágono, menos de uma semana após tomar posse, o governo Espriella “já solicitou ao Departamento de Defesa dos EUA para unir-se na luta contra o narcoterrorismo, autorizando operações militares conjuntas para destruir terroristas e suas redes”.
EUA na luta contra o narcoterrorismo
Em setembro passado, as forças armadas dos EUA lançaram uma campanha de ataques aéreos contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas na costa venezuelana e no Pacífico Oriental. Essa campanha resultou na morte de pelo menos 215 pessoas até o momento, contudo, o governo Trump nunca apresentou provas de que os veículos atingidos estivessem de fato envolvidos com o narcotráfico.
Ao mesmo tempo, o ultraconservador Abelardo De La Espriella, que tomou posse em 7 de agosto, prometeu em sua campanha eleitoral combater os criminosos ligados ao tráfico de drogas. Essa postura interrompe as negociações de paz contra grupos armados iniciadas por seu antecessor, o progressista Gustavo Petro.
O novo chefe de Estado cumpriu sua promessa. Ontem, seu governo efetuou o primeiro bombardeio aéreo contra posições ocupadas por guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN).
Quais os impactos das operações militares?
A operação foi conduzida nas áreas rurais de Tibú e San Calixto, no departamento de Norte de Santander, resultando na morte de dois supostos paramilitares e deixando pelo menos três civis feridos, conforme as autoridades colombianas. O Ministério da Defesa do país confirmou ainda a destruição de duas estruturas fortificadas e de cinco acampamentos, além da apreensão de aproximadamente 1,5 tonelada de explosivos, equipamentos militares e 440 granadas modificadas para lançamento por drones.
A pasta enfatizou que a operação foi planejada “em conformidade com o direito internacional humanitário, com atenção especial à proteção da população civil”. No entanto, o gabinete da ouvidoria local relatou que, além dos três civis feridos no município de San Calixto, algumas famílias foram forçadas a deixar suas casas devido aos confrontos.
A ofensiva ocorre poucas semanas depois de De La Espriella ter emitido um ultimato à liderança do ELN e da Frente 33. Desde janeiro de 2025, a região de Catatumbo tem sido palco de uma grave crise humanitária decorrente de confrontos entre o ELN e facções dissidentes da Frente 33, resultando no deslocamento de mais de 120 mil pessoas e forçando outras 50 mil a permanecer em suas comunidades.
Da IstoÉ com ANSA.