ROMA, 23 MAR (ANSA) – O Coliseu, ícone emblemático de Roma, foi por muitos anos visto como um monumento incompleto, já que a sua fachada sul ? erguida sobre um terreno aluvial instável ? começou a ruir ainda entre os séculos VI e VII d.C. Contudo, desde a semana passada, o local ganhou uma nova aparência.
Isso porque o lado sul do Anfiteatro Flaviano passou por um processo de revitalização, que incluiu a remodelação dos ambulacros ? espécie de galerias internas.
A intervenção foi realizada pelo Parque Arqueológico do Coliseu, sob supervisão técnica e científica, com um projeto assinado pelo escritório do renomado arquiteto italiano Stefano Boeri.
Originalmente, esta seção era formada por pilares e abóbadas e alcançava 50 metros de altura, mas, ao longo dos séculos, acabou desmoronando gradualmente. Atualmente, um pavimento de travertino proveniente das pedreiras de Tivoli foi instalado sobre a antiga passarela, e elementos que evocam a sequência de deambulatórios – espaços de circulação – foram incorporados entre os arcos LXIV e LXXI.
Além disso, fundações foram deixadas expostas, em uma área arqueológica que ilustra os métodos construtivos do monumento.
O lado sul correspondia à entrada utilizada pelo imperador no Coliseu, e os deambulatórios estendiam-se por mais de 3 mil metros quadrados, dos quais cerca de 1,3 mil foram objeto de intervenção. Localizados no interior do anfiteatro, os espaços funcionavam como vias de circulação, permitindo o deslocamento dos espectadores entre os diferentes setores e servindo também como rotas de evacuação.
O terreno nessa área era mais instável do que no lado norte, o que levou, ao longo dos séculos, ao desabamento. Posteriormente, seus materiais foram reaproveitados na construção de casas, cercas e estábulos. No século XIX, os arquitetos Raffaele Stern e Giuseppe Valadier conduziram a restauração do Coliseu, instalando paralelepípedos ao longo dos corredores externos.
“O objetivo [das intervenções] é dar a todos a oportunidade de perceber a verdadeira extensão do Coliseu no lado sul e suas proporções”, explicou Boeri na inauguração.
O projeto, financiado com recursos de compensação das obras do Metrô C, foi executado sob a direção de Alfonsina Russo, com Federica Rinaldi como gerente de projeto e Barbara Nazzaro como gerente de obra.
Russo ressaltou que “as escavações arqueológicas trouxeram à luz uma área esquecida por 15 séculos, permitindo aprofundar aspectos da construção e do funcionamento do Coliseu.” Já o atual diretor do Parque, Simone Quilici, destacou que “todo o trabalho é reversível”, pois foi projetado “para que possa ser removido, se necessário, sem danificar as estruturas antigas”.
Além da revitalização, o Coliseu também foi homenageado com uma moeda comemorativa de 25 euros, em prata, com peso de 1 kg e tiragem limitada a 400 peças.
Criada pelo gravador Antonio Vecchio e cunhada pelo Istituto Poligrafico e Zecca dello Stato (IPZS), a moeda apresenta no anverso o Anfiteatro Flaviano e, no reverso, uma vista aérea detalhada do monumento, incluindo sua planta interna e um mapa da Roma Antiga.
O comunicado do IPZS ressalta que a combinação de tamanho, peso e tiragem limitada torna a peça rara e valiosa tanto para colecionadores quanto para entusiastas da história antiga.
(ANSA).