Uma colisão neste domingo (19/01) entre dois trens de alta velocidade que transportavam centenas de passageiros no sul da Espanha deixou ao menos 40 pessoas mortas e outras 170 feridas, incluindo cinco em estado muito grave e 24 em estado grave, afirmou o Ministério do Interior nesta segunda-feira.
O ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que o número de mortos não é definitivo e deve continuar aumentando.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, cancelou todos os compromissos e anunciou luto nacional de três dias, a começar na terça-feira.
A colisão ocorreu às 19h45 (hora local) perto de Adamuz, quase 200 km ao norte de Málaga.
O acidente aconteceu quando um trem de alta velocidade da empresa ferroviária privada Iryo, viajando de Málaga para Madri, descarrilou, atravessando para os trilhos adjacentes e sendo atingindo por um trem da empresa estatal Renfe que vinha em sentido contrário, de Madri para Huelva, e que também descarrilou com o impacto.
A Iryo afirmou que o seu trem partiu de Málaga com 289 passageiros, 4 tripulantes e 1 maquinista a bordo e que ele foi fabricado em 2022 e teve sua mais recente inspeção em 15 de janeiro.
As primeiras conclusões da investigação indicam que os últimos vagões do trem da Iryo descarrilaram e, em seguida, o outro trem, que viajava no sentido oposto, colidiu com os vagões descarrilados e também.
“A frente do trem que viajava de Madri para Huelva colidiu, pelo que sabemos até o momento, com um ou mais vagões que haviam cruzado os trilhos”, afirmou Puente. O impacto foi tão violento que os dois primeiros vagões do trem da Renfe foram arremessados para fora dos trilhos, segundo o ministro.
Alguns corpos foram encontrados a centenas de metros do local do acidente, segundo a presidente da região espanhola de Andalusia, Juanma Moreno.
Local do acidente é de difícil acesso
Uma testemunha disse à emissora RTVE que um dos vagões do primeiro trem havia capotado completamente. Imagens de televisão mostraram equipes médicas e de bombeiros no local, tentando tirar as vítimas dos ferros retorcidos dos vagões.
Os serviços de emergência tiveram dificuldades para retirar as centenas de passageiros que ficaram presos nos destroços. “O problema é que os vagões estão retorcidos, então o metal está retorcido com as pessoas dentro”, disse Francisco Carmona, chefe dos bombeiros de Córdoba, à emissora pública RTVE.
O local do acidente é de difícil acesso, disse o diretor de emergências da Cruz Vermelha espanhola, Íñigo Vila, à televisão pública. “O acesso é difícil porque só pode ser feito por uma estrada de serviço, um caminho de terra, que foi como conseguimos entrar e onde todos os serviços de emergência estavam trabalhando”, afirmou.
Um jornalista da emissora pública RNE, que viajava num dos trens, disse que o impacto pareceu um terremoto. Passageiros usaram martelos de emergência para quebrar os vidros do vagão e sair, relatou.
Falha nos trilhos e “circunstâncias estranhas”
Especialistas que investigam o acidente encontraram uma falha em uma das placas que unia os trilhos, informou a agência de notícias Reuters, citando uma fonte anônima. Essa placa, conhecida como fishplate, ou talas de junção, estariam desgastadas, criando um buraco entre seções do trilho que cresceu com a passagem dos trens.
O ministro dos Transportes descreveu o acidente como “extremamente estranho”. Puente disse que o trem da Iryo era “praticamente novo, não sei se tem sequer quatro anos, e a linha férrea também foi completamente renovada”.
Ele afirmou que cerca de 700 milhões de euros foram investidos na linha e que, em maio, os trabalhos de substituição de aparelhos de mudança de via foram concluídos.
“Todos os especialistas ferroviários estão extremamente perplexos com o acidente”, acrescentou.
O presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, disse à rádio pública espanhola que “erro humano está praticamente descartado” e também descreveu o acidente como tendo ocorrido em “circunstâncias estranhas”.
“Um filme de terror”
Um passageiro, Lucas Meriako, que viajava no trem da Iryo, disse à rede de TV La Sexta que tudo “parecia um filme de terror”.
“Sentimos um impacto muito forte por trás e a sensação de que o trem inteiro iria desmoronar, quebrar… havia muitos feridos por causa dos vidros”, contou.
A mídia espanhola estimou que cerca de 400 pessoas estavam nos dois trens.
Os serviços de alta velocidade entre Madri e as cidades andaluzas de Córdoba, Sevilha, Málaga e Huelva ficarão suspensos pelo menos durante toda a segunda-feira, anunciou a gestora da rede ferroviária, a Adif.
Espaços foram preparados nas estações de Madri, Sevilha, Córdoba, Málaga e Huelva para atender familiares das vítimas.
A Espanha possui a maior rede de trens de alta velocidade da Europa, com mais de 3 mil de linhas dedicadas, conectando cidades como Madrid, Barcelona, Sevilha, Valência e Málaga.