Gaviões da Fiel vai ao CT do Corinthians e cobra elenco e Dorival

Após derrota para o Fluminense, torcida organizada pressiona técnico Dorival Júnior, diretoria e jogadores no CT Joaquim Grava

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Integrantes dos Gaviões da Fiel cobraram time e Dorival no CT do Corinthians Foto: Reprodução

A manhã desta quinta-feira, 2, foi de clima tenso no CT Joaquim Grava, onde integrantes da Gaviões da Fiel realizaram uma forte cobrança ao elenco, comissão técnica e diretoria do Corinthians. O protesto ocorreu após a derrota por 3 a 1 para o Fluminense, na noite anterior, e exigiu uma reação imediata do clube. A torcida organizada buscou explicações e comprometimento em campo, alertando para o pior momento do time nos últimos anos.

O que aconteceu

  • A Gaviões da Fiel realizou uma intensa cobrança ao Corinthians no CT Joaquim Grava, exigindo reação após a derrota para o Fluminense.
  • A torcida organizada se reuniu com o técnico Dorival Júnior, o presidente Osmar Stabile e os jogadores, criticando o desempenho recente e a falta de representatividade em campo.
  • O grupo deixou claro que espera uma resposta rápida em campo, com vitórias nos próximos jogos e maior empenho dos atletas, que enfrentam o pior momento do clube em anos.

Os torcedores, após retornarem da viagem ao Rio de Janeiro, aguardaram a autorização para acessar o centro de treinamento e dialogar com o grupo. A equipe se preparava para o confronto contra o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro.

O encontro foi marcado por um tom severo, com críticas incisivas ao desempenho recente e questionamentos à comissão técnica e aos jogadores. Alexandre Domênico, presidente da Gaviões e conhecido como Alê, detalhou a abordagem da torcida, evidenciando o cansaço dos corintianos.

Representantes da organizada tiveram contato direto com o técnico Dorival Júnior, o presidente Osmar Stabile, dirigentes e todos os atletas.

Detalhes da manifestação da torcida

Alê relatou a dura realidade de quem acompanha o clube. “Viemos de caravana do Rio de Janeiro, com a mesma roupa, inclusive. Falamos toda a situação que o corintiano passa para torcer, empurrar, a maneira que a gente é tratado em todos os estados do Brasil”, afirmou. O presidente da organizada enfatizou que a torcida busca “representatividade em campo”.

Ele reforçou a exigência por entrega, mesmo reconhecendo as dificuldades financeiras do Corinthians. “É uma realidade muito dura, o Corinthians está sem dinheiro. Há quanto tempo não falamos de uma grande contratação na janela? Mas isso não quer dizer que o jogador não tem que se doar”, salientou.

Além das críticas, a torcida demandou uma resposta imediata em campo. “Pedimos raça, que vença domingo, quinta, contra o Palmeiras. Mesmo que a gente não vença, que eles representem e não vamos ficar atacados igual ontem. São vários jogos sem representatividade”, declarou Alê.

O líder da Gaviões revelou também que o pedido para dialogar com todo o elenco foi atendido, e não apenas com as lideranças. “Quando a gente vem, só colocam os líderes, mas queríamos falar com todos, dos mais novos aos recém-chegados. Eles são responsáveis por resgatar nossa força e nosso protagonismo”, explicou.

Alê comentou, ainda, sobre o contexto interno do clube e seu impacto no desempenho. “A gente sabe da falta do elenco, faltam algumas peças que não vieram dessa realidade que falamos. Corinthians contrata a terceira galeria de jogadores. A torcida nos cobra muito isso, mas viemos numa linha mais calorosa. Essa bagunça política também atrapalha, por mais que os jogadores estejam aqui só para jogar bola”, concluiu.

Qual o peso da pressão sobre a diretoria?

A cobrança da torcida não se restringiu aos jogadores. O técnico Dorival e a diretoria do clube também foram questionados veementemente durante o encontro. Alê enfatizou que o protesto foi amplo, visando todas as esferas.

Ele revelou a pressão direta sobre o técnico: “A cobrança foi desde o presidente do Corinthians até o Dorival. Cobramos sim o Dorival. A gente quer entender algumas escalações, algumas alterações. Ele falou o lado dele. Ele está pressionado sim, não vamos ser hipócritas. Precisa ganhar domingo, precisa ganhar bem domingo, precisa ganhar bem quinta-feira, precisa ganhar principalmente no outro domingo (contra o Palmeiras). A nossa cobrança foi na totalidade”.

Apesar da tensão inicial, a organizada ressaltou que o objetivo era o diálogo. “No início, tiveram uma ideia mais calorosa. Não esperavam que a gente ia entrar no campo, mas depois entenderam, porque toda vez que a gente vem aqui é porque as coisas não estão indo bem. Muitas vezes viemos para apoio, mas agora é cobrança”, disse Alê. Ele frisou a responsabilidade: “Representamos 35 milhões de corintianos, eu jamais queria estar aqui. Se tiver que ser uma linha mais incisiva, vai ser. São esses caras que vamos precisar apoiar”.

Alê finalizou reforçando o caráter coletivo da cobrança, sem individualizar falhas. “Não direcionamos para nenhum jogador. Foi para o elenco todo, porque, se for ver, todos executaram alguma falha. Falamos no geral, desde os mais novos até os mais experientes”, concluiu.

A visita da Gaviões da Fiel acontece em um dos piores momentos do Corinthians nos últimos anos. Com a derrota para o Fluminense, o time atingiu a marca de oito partidas consecutivas sem vitórias, uma sequência negativa que não se via há quase três temporadas. O último triunfo da equipe foi em 19 de fevereiro, um 1 a 0 sobre o Athletico Paranaense.

Atualmente na 11ª posição do Campeonato Brasileiro, com dez pontos, o Corinthians busca uma reação imediata. O próximo desafio será no domingo, às 19h30min, contra o Internacional, na Neo Química Arena, pela décima rodada da competição.