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Coalizão dirigida pelos EUA diz ter começado retirada militar da Síria

Coalizão dirigida pelos EUA diz ter começado retirada militar da Síria

(Arquivo) Foto tirada em 30 de dezembro de 2018 mostra veículos militares americanos na cidade síria de Manbij - AFP/Arquivos

A coalizão internacional antijihadista dirigida pelos Estados Unidos anunciou, nesta sexta-feira (11), o início da retirada das tropas da Síria.

De acordo com o porta-voz, coronel Sean Ryan, “a coalizão começou o processo de retirada (…) da Síria”.

Segundo ele, “por preocupação com a segurança operacional, não discutiremos prazos, locais, ou movimentos de tropas”.

O diretor do Observatório Sírio dos Direitos humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, relatou que “forças americanas se retiraram na quinta-feira à noite da base militar de Rmeilan, na província de Hasaka”, no leste do país.

“Trata-se da primeira retirada das forças americanas desde que o presidente (Donald Trump) fez seu anúncio”, acrescentou o diretor do OSDH.

Além disso, o Exército americano já começou a retirar alguns equipamentos da Síria, disse à AFP um funcionário da Defesa, pedindo para não ser identificado.

“Posso confirmar o movimento de equipamentos da Síria. Por razões de segurança, não vou dar mais detalhes neste momento”, afirmou.

A remoção de equipamentos nos últimos dias foi relatada pela primeira vez pela rede CNN, que citou um funcionário da pasta ligado à operação. A fonte da emissora americana não detalhou a carga, nem como está sendo transportada.

Em dezembro, Trump disse que pretendia iniciar a retirada dos 2.000 soldados americanos estacionados na Síria. O presidente garantiu que o EI havia sido derrotado, o que justificaria o retorno do efetivo militar.

A coalizão tem outras bases no nordeste desse país, assim como no vizinho Iraque, onde o presidente ainda pretende manter suas tropas.

Foi criada em 2014, após a meteórica emergência do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria e sua conquista de grandes faixas neste país, do mesmo modo que no Iraque, criando um autoproclamado califado.

As Forças Democráticas Sírias (FDSs), uma milícia curdo-árabe que conta com o apoio de Washington, está tentando expulsar os extremistas do EI de seus últimos bolsões de resistência, no vale do Eufrates.

Vários países participam da coalizão, entre eles, Reino Unido e França. Ainda não se sabe se o início de retirada também incluirá as tropas francesas e britânicas no terreno.

“O presidente Trump tomou a decisão de retirar nossas tropas, e vamos fazer isso”, declarou ontem o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que está em uma ampla viagem pelo Oriente Médio, sem se referir a um cronograma.

A retirada anunciada por Trump deixa seus aliados curdos mais expostos do que nunca. Para garantir sua sobrevivência diante das ameaças turcas, tiveram de buscar amparo no governo de Bashar al-Assad, mesmo que às custas de seus planos de maior autonomia no norte do país.

Na quinta-feira, a Turquia voltou, inclusive, a reafirmar sua ameaça de uma ofensiva contra esses combatentes curdos da Síria, considerados por Ancara como “terroristas” e aliados dos curdos turcos do PKK.

Outro ponto é que a retirada parece ir contra a intenção dos EUA de conter a influência iraniana na região e de proteger Israel.

Segundo os observadores, o anúncio da retirada militar dos EUA deverá representar uma redistribuição de forças e de alianças nessa já complicada região.

“O dano já está feito. No terreno, o anúncio da retirada (dos Estados Unidos) tem os mesmos efeitos que se a retirada já tivesse acontecido”, afirma Fabrice Balanche, geógrafo especializado em Síria.

– Fuga em massa de refugiados

Cerca de 25.000 pessoas fugiram dos combates no leste da Síria, nos últimos seis meses, informou a ONU nesta sexta-feira.

Em nota, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) disse estar “profundamente preocupado com as informações sobre um número crescente de vítimas civis – entre elas inúmeras mulheres e crianças – e de deslocamentos em massa de populações civis no enclave de Hajin”, último bolsão do EI, na província de Deir Ezzor.

Segundo o Acnur, nos últimos seis meses, os confrontos e ataques aéreos no sudeste do território forçaram mais de 25.000 pessoas a fugir em busca de abrigo em acampamentos. A fuga se dá, muitas vezes, após passarem várias noites no deserto, expostas a duras condições climáticas, sem água e sem comida.

O Acnur estima que cerca de dois mil civis ainda estejam presos na zona afetada pelos combates ao redor de Hajin.