O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) abriu uma chamada pública para subsidiar pesquisas científicas e o desenvolvimento de tecnologias e produtos inovadores para endometriose, dor pélvica e saúde menstrual, com foco em soluções aplicáveis no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, que conta com um investimento total de R$ 60 milhões, tem como objetivo fortalecer a pesquisa na área.
O que aconteceu
- O CNPq lançou uma chamada pública para subsidiar pesquisas sobre endometriose, dor pélvica e saúde menstrual, com investimento de R$ 60 milhões.
- Recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do grupo Alana vão financiar propostas focadas em soluções para o SUS.
- As pesquisas abordarão causas, prevenção, diagnóstico, tratamento, biorrepositório e impacto social, com inscrições abertas até 12 de agosto.
As propostas selecionadas serão financiadas por meio de investimento de R$ 50 milhões provenientes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, além de R$ 10 milhões ofertados pelo grupo Alana, para criar uma rede nacional estruturante. A composição desta rede terá como ponto de partida os projetos apoiados, visando uma abordagem integrada e eficaz. Interessados podem se inscrever até 12 de agosto, conforme detalhes da iniciativa do CNPq.
Conforme a chamada pública, as propostas devem se encaixar em um dos seguintes eixos temáticos: causa e prevenção; diagnóstico; tratamento; biorrepositório (reservatório de materiais biológicos, utilizado em pesquisas específicas); e impacto social.
Qual a importância do impacto social nas pesquisas?
“A linha temática dedicada ao impacto social é um dos diferenciais da chamada e amplia o escopo das pesquisas para além dos aspectos biológicos e clínicos da endometriose e da saúde menstrual”, avaliou o grupo Alana em nota.
Ainda segundo a chamada pública, o responsável pela apresentação da proposta deve ter título de doutor, ser coordenador do projeto e ter vínculo formal com a instituição de execução do projeto. Os resultados dos projetos selecionados serão divulgados em 2 de dezembro.
Endometriose: o que os números revelam sobre a doença?
Pesquisa divulgada em 2026 pelo Alana e pelo Instituto Equidade.info mostra que seis em cada dez estudantes dos ensinos fundamental e médio que menstruam relatam cólicas fortes ou moderadas, que atrapalham a rotina e exigem uso de medicação. Este cenário evidencia a urgência em promover o diagnóstico e tratamento da endometriose e da dor menstrual.
“Mais do que um desconforto, a dor menstrual tem impacto direto na vida escolar: quatro em cada dez alunas faltam às aulas mensalmente por esse motivo”, destacou o grupo no comunicado.
Os dados mostram que, além dos prejuízos à saúde física e mental, as cólicas fortes — principal sintoma da endometriose — podem levar mulheres a perder até 10,8 horas de trabalho por semana.
Da IstoÉ