A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) rechaçou nesta semana as acusações do senador Flávio Bolsonaro (PL) de envolvimento na disseminação de informações falsas. A entidade negou veementemente ter participado de uma suposta articulação que visava retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O tema gerou repercussão em São Paulo, e a CNBB defende sua imparcialidade no processo eleitoral.
O boato, que circulou na noite da última sexta-feira, 25, pela emissora Globo News — a qual posteriormente negou a informação — espalhou-se rapidamente nas redes sociais. A notícia falsa abriu uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro, que é evangélico, gerando intenso debate público.
Questionado sobre o assunto no último domingo, 27, o senador Flávio Bolsonaro negou ter planos para retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Ele afirmou que a “fake news” foi disseminada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) “com ajuda de gente dentro da CNBB”, direcionando a culpa para setores específicos.
A reação da Igreja Católica
Sem citar diretamente o senador, os bispos brasileiros reagiram prontamente às alegações. A Conferência afirmou em nota oficial que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”, demarcando claramente sua posição.
“Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”, declarou a entidade no comunicado, reforçando a necessidade de um debate eleitoral íntegro.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil também repudiou de forma veemente a “produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar”. A entidade ressaltou que “não integra qualquer estrutura político-partidária ou candidatura”, buscando manter sua imagem de independência.
Por que o tema ganhou tanta relevância?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comentou o assunto no último domingo, 27, durante entrevista à TV Band. “Mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável”, disse o petista, enfatizando a importância da figura religiosa para a população católica brasileira.
Lula defendeu o respeito mútuo entre as diferentes fés no país. “Eu respeito a religião evangélica e quero que eles respeitem a religião católica, que a católica respeite eles, que respeitem as religiões de matriz africana”, salientou, buscando pacificar o debate religioso na política.
A pesquisa Datafolha mais recente mostra Luiz Inácio Lula da Silva (40%) e Flávio Bolsonaro (36%) em empate técnico, considerando a margem de erro. No entanto, o levantamento evidencia uma disparidade nas intenções de voto entre as duas religiões dominantes no Brasil: entre os católicos, o petista lidera por 45% a 33%; já entre os evangélicos, o filho de Jair Bolsonaro (PL) está na dianteira com 47% a 27% das preferências. A polarização religiosa se acentua com temas como este.