Economia

CNA diz que governo investiga altas abusivas de insumos agrícolas

CNA diz que governo investiga altas abusivas de insumos agrícolas

Lavoura de milho com irrigação


Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – O Ministério da Justiça está investigando altas consideradas abusivas de preços de insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, disse nesta quarta-feira um representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que cita os custos maiores entre os principais desafios para o setor em 2022.

Segundo o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, a confederação tem discutido o tema com os ministérios da Justiça, Agricultura e Economia, para tentar barrar aumentos “abusivos dos preços que algumas revendas podem estar praticando”.

“Muitos produtores já tinham fechado o contrato e não receberam o produto, mas se ele pagar xis, muito além do combinado, o produto aparece”, disse Lucchi, durante evento para analisar o cenário do setor para o próximo ano.

“Temos relatado estes pontos, o Ministério da Justiça está encaminhando a investigação com as grandes agroindústrias, para coibir essa prática abusiva de elevação de preços”, afirmou.

Ele também citou outras ações que visam reduzir o impacto de custos mais altos dos insumos, os quais o Brasil importa grande parte.

Os preços de defensivos e fertilizantes têm subido pelo câmbio e por problemas de oferta global, uma vez que alguns países produtores estão reservando insumos para uso doméstico.

Entre as ações para melhorar a oferta, o diretor técnico citou o encaminhamento de um projeto de lei para que o produtor possa importar diretamente defensivos do Mercosul.

Essa alternativa se abriu porque países como Argentina e Uruguai não têm tido tanta demanda como o Brasil, em função do forte crescimento da agricultura nacional.

Segundo o presidente da CNA, João Martins, o setor também tem sido pressionado por custo de energia e transporte, devido à alta dos combustíveis.

“Todos esses ingredientes fizeram com que os preços dos alimentos fossem elevados, mas não deixamos de produzir e colocar na mesa do brasileiro o essencial”, comentou ele, durante o evento.

CRESCIMENTO DO PIB

O Produto Interno Bruto do agronegócio do Brasil deve crescer em ritmo mais lento em 2022 em meio a custos mais altos que achatam margens de agricultores, estimou ainda nesta quarta-feira a CNA, apontando alta entre 3% e 5% para o PIB no ano que vem.

Segundo o estudo, realizado juntamente com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o PIB do agronegócio deve fechar 2021 com expansão de 9,37% em relação a 2020.

A maior organização agrícola do Brasil afirmou que, mesmo com a elevação dos preços de commodities e o aumento de produção de algumas culturas, a alta dos custos de produção deve achatar a margem de lucro do produtor rural de maneira geral.

A CNA também citou alguns fatores que devem determinar o comportamento da safra 2021/2022 no Brasil e precisam ser acompanhados de perto no próximo ano, como a questão da logística e a oferta de insumos –boa parte da matéria-prima dos fertilizantes é importada, e há preocupações com a escassez de adubos no mundo, além da alta do preço.

A confederação ainda citou atenção para o desenvolvimento do fenômeno climático La Niña.

Mesmo assim, a CNA projeta uma safra de grãos em volume recorde de 289 milhões de toneladas em 2022, alta de 14% ante 2021, em meio à expectativa de recuperação da produção de milho, fortemente afetada pela seca e geadas em 2021.

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária deve somar 1,25 trilhão de reais em 2022, crescimento de 4,2% ante 2021, segundo o levantamento.

“Culturas como café, milho e trigo devem ter produções maiores, e cana-de-açúcar, café e algodão deve ter elevação nos preços. Por outro lado, soja, carne bovina e arroz devem sofrer quedas no VBP no próximo ano”, disse a CNA.

CHINA

Sobre o embargo chinês à carne bovina do Brasil, devido a dois casos atípicos de doença conhecida como “mal da vaca louca” –atípicos ocorrem em gado mais velho, sem risco de contaminação–, não há justificativa sanitária, defendeu o presidente da CNA.

“Não foi problema sanitário, ao contrário… Eles sabem disso. Foi uma jogada de mercado”, afirmou Martins, apontando o que considera ser o verdadeiro motivo da suspensão de compras.

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