Clubes ameaçam parar Brasileirão após proibição das bets

Dirigentes pressionam por período de transição e articulam reação no STF contra medida que encerra operações e publicidade das casas de apostas

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Clubes do futebol brasileiro aumentaram a pressão contra a medida provisória que determinou o fim das casas de apostas de quota fixa no país. Entre as alternativas discutidas por dirigentes está até mesmo uma eventual paralisação do Campeonato Brasileiro como forma de pressionar o governo federal por mudanças nas regras de transição.

A possibilidade ganhou força nos últimos dias, diante do impacto financeiro provocado pela decisão sobre contratos de patrocínio já firmados entre equipes e empresas do setor.

A Medida Provisória publicada na sexta-feira (25) determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets no Brasil. As empresas têm até 5 de outubro para encerrar determinadas operações e retirar publicidade, enquanto sites e aplicativos deverão sair do ar a partir do dia seguinte.

No futebol, entretanto, dirigentes argumentam que o prazo é insuficiente para reorganizar contratos e encontrar novos patrocinadores.

Clubes querem período de transição

Uma das principais reivindicações é a criação de um período de transição de pelo menos seis meses. Entre dirigentes, há ainda quem defenda prazo de até um ano para que contratos comerciais sejam encerrados gradualmente.

A preocupação é especialmente significativa porque as casas de apostas se tornaram uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro nos últimos anos.

Dos 20 clubes que disputam a Série A, 14 tinham uma bet como patrocinadora máster de suas camisas quando a medida foi anunciada.

Estimativas do mercado apontam que empresas do setor destinaram aproximadamente R$ 1 bilhão em patrocínios aos clubes da primeira divisão somente em 2025.

A discussão sobre uma possível interrupção do Brasileirão surgiu nesse contexto. A paralisação ainda não foi formalmente aprovada pelos clubes e dependeria de uma articulação mais ampla entre as equipes e as entidades responsáveis pelas competições.

Os dirigentes também querem maior participação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nas negociações.

Disputa chega ao STF

A reação ocorre simultaneamente no campo jurídico.

Entidades ligadas ao setor de apostas ingressaram no Supremo Tribunal Federal contra a medida provisória. Entre os argumentos apresentados estão a ausência de um período adequado de transição e o impacto sobre autorizações concedidas anteriormente pelo próprio poder público.

Uma das ações pede a suspensão da medida até sua análise pelo Congresso ou até o julgamento definitivo pelo Supremo. Também há pedidos alternativos para estabelecer prazo mínimo de seis meses para adaptação às novas regras.

O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut), que representa clubes e federações, também entrou na mobilização jurídica relacionada ao tema e busca ampliar o período disponível para adequação.

O Flamengo, por sua vez, pediu ao STF para participar como amicus curiae nas ações que discutem a proibição. O clube argumenta que a mudança tem impacto direto sobre suas receitas e sobre outras modalidades esportivas financiadas com recursos provenientes desses contratos.

Reunião com governo é adiada

Representantes dos clubes e federações haviam sido convidados para uma reunião com integrantes do governo federal em Brasília para discutir as consequências da medida.

Entre os temas previstos estava uma possível linha de crédito destinada às equipes afetadas pela perda dos contratos com empresas de apostas. O encontro, entretanto, foi adiado e deverá ocorrer após o primeiro turno das eleições.

Enquanto as negociações não avançam, dirigentes tentam construir uma posição conjunta para reduzir o impacto imediato da proibição.

A discussão sobre uma eventual paralisação do Campeonato Brasileiro amplia a pressão, mas, até o momento, não existe decisão oficial de interromper a competição.

Da IstoÉ