Nem tudo são flores na candidatura de Lula. Acaba de surgir uma disputa pelo poder dentro da coordenação da campanha petista que pode mudar os rumos da estratégia eleitoral do preferido nas pesquisas. É que desde que o ex-presidente passou a falar mais do que devia, como a defesa do aborto e que se for eleito demitirá os 8 mil militares do governo, o partido entrou em parafuso: o petista começou a cair e Bolsonaro a subir nas consultas de opinião. Muitos creditam esse destempero a Gleisi Hoffmann, presidente da legenda, e querem tirá-la da coordenação da campanha para dar a função ao senador Jaques Wagner, tido como mais moderado. Gleisi goza da simpatia do chefe desde a prisão em Curitiba, mas o baiano é o preferido dos que defendem a busca por votos do centro.

Nanicos

Os que preferem Wagner na coordenação da campanha atribuem a Gleisi o fracasso na formação de uma federação com o PSB, o que daria maior musculatura à campanha de Lula. Acham que a federação com o PV e PCdoB só ajudou esses partidos nanicos a sobreviver e cobram empenho na atração de outros partidos, como é o caso do PSD de Gilberto Kassab.

Companheiro

Esses petistas lembram, inclusive, que a viabilização da chapa com Geraldo Alckmin, que eles apoiam desde o início, só foi possível graças à movimentação do próprio Lula, sem a participação de Gleisi. O líder petista conseguiu o que até o ano passado era improvável: “Você me chama de companheiro Lula e eu chamo você de companheiro Alckmin”.

Doria volta às origens na Bahia

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Divulgação

O candidato do PSDB a presidente, João Doria, deu início à campanha visitando no sábado, 9, a cidade de Rio de Contas (Bahia), onde nasceram seu avô Nelson da Costa Doria e seu pai João Doria. Foi recebido pelo prefeito Cristiano Cardoso de Azevedo (PSB) – de azul na foto. Visitou a casa do avô, que permanece preservada e ganhou um retrato de seu pai feito pelo artista Jairo. Doria ficou emocionado.

Retrato falado

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“O Ministério da Educação se tornou um balcão de negócios” (Crédito:Pedro França)

O senador Randolfe Rodrigues tentou viabilizar a criação da CPI do MEC para investigar as acusações de irregularidades no ministério. Foram escancaradas denúncias de corrupção, licitações superfaturadas e influência de pastores na liberação de verbas mediante propinas, entre outros supostos crimes. Ele recolheu as 27 assinaturas necessárias para a instalação da comissão, mas, pressionados pelo governo, três senadores retiraram os nomes. Pode ser engavetada. Vergonha.

No vermelho

A lambança da gestão econômica de Guedes é tão grande que o Brasil continuará com as contas no vermelho ainda nos próximos dois anos, qualquer que seja o novo presidente. É que as projeções do governo feitas na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2023, e que serão enviadas ao Congresso até a próxima sexta-feira, 15, indicam que no ano que vem o País terá um déficit de R$ 66 bilhões. Ou seja, continuaremos gastando mais do que arrecadamos. Esse valor será praticamente o mesmo do déficit deste ano, estimado em R$ 66,9 bilhões. E o pior é que o rombo se manterá também em 2024, com a previsão de um resultado negativo de R$ 28 bilhões.

Herança maldita

Somente em 2025, no terceiro mandato do futuro presidente, é que deverá haver superávit, calculado em R$ 33 bilhões. Assim, o Brasil completará 11 anos de déficits (o primeiro foi em 2014, com Dilma). Tudo isso graças ao atual governo não ter feito a prometida reforma administrativa para reduzir despesas.

Os puxadores de votos

Os partidos já começam a montar suas chapas de candidatos a deputado federal, com a expectativa de obter grandes votações para a legenda. Pelo PSDB de São Paulo, a atriz Luíza Brunet é um desses nomes. Os tucanos esperam que o senador José Serra seja outro com mais de um milhão de votos. Sergio Moro (União Brasil) também pode ser bem votado.

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Outros candidatos

Há também nomes da esquerda e da direita que esperam atingir grandes votações para deputado. É o caso do ex-senador Eduardo Suplicy (PT), do sem-teto Guilherme Boulos (PSOL) e da ex-ministra Marina Silva (Rede). Pela direita, o filho 03 do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PL), conta boa votação. Em 2018, foi o mais votado do Brasil.

Comilança na caserna

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Isac Nobrega

Enquanto milhares se alimentam com sopa de osso, o general Braga Netto, cotado para vice de Bolsonaro, não economiza na compra de carnes nobres para o alto escalão das Forças Armadas. Quando era ministro da Defesa, de janeiro de 2021 a fevereiro deste ano, gastou R$ 56 milhões para comprar 555,8 mil quilos de filé mignon, 373 mil quilos de picanha e 254 mil quilos de salmão.

Toma lá dá cá

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Bruno Reis, prefeito de Salvador (União Brasil) (Crédito:Divulgação)

Salvador sofreu grandes prejuízos por não ter realizado o Carnaval?
A pandemia impediu a realização do nosso Carnaval pelo segundo ano consecutivo, com perdas de R$ 2 bilhões, mas atraímos 2,2 milhões de visitantes para nossos pólos turísticos, o que nos deu uma receita de R$ 3,4 bilhões e amorteceu o impacto negativo.

O União Brasil, ao qual o senhor pertence, terá candidato a presidente?
A Bahia é a nossa prioridade, mas caberá ao presidente do nosso partido, Luciano Bivar, conduzir o debate sobre ter candidato próprio ou apoiar alguém da terceira via.

E para o governo da Bahia?
ACM Neto é o melhor nome para disputar e vencer as eleições. É o mais qualificado para governar a Bahia a partir de 2023.

Rápidas

* Em junho de 2016, na eleição para prefeito de São Paulo, o Ibope apontava a liderança de Celso Russomanno com 26%, seguido por Marta Suplicy com 10%, Erundina com 8%, Haddad com 7% e Doria com 6%. Quatro meses depois, Doria venceu no primeiro turno com 53%.

* Agora é oficial. Lula e Janja vão se casar no mês que vem em São Paulo. O ex-governador Geraldo Alckmin e dona Lu serão os padrinhos. A amizade dos casais realmente é espantosa. De inimigos, viraram amigos íntimos.

* Pensando na reeleição, Bolsonaro abriu ainda mais os cofres. Depois de lançar uma linha de crédito de R$ 8 bilhões para os caminhoneiros, pensa em corrigir a tabela do IR e cogita dar aumento de 5% para todos servidores.

* O PL de Bolsonaro cresceu tanto que está saindo do controle da direção. Em São Paulo, por exemplo, o partido quer apoiar a reeleição de Rodrigo Garcia. Fala-se em cortar verbas do fundo eleitoral dos dissidentes.