Clima: janela para plantio do milho safrinha preocupa com avanço de chuvas

São Paulo, 2 – O calendário do milho safrinha entrou em zona de atenção. As chuvas intensas registradas nos últimos dez dias no Centro-Oeste e no Sudeste atrasaram a colheita da soja e, por consequência, a semeadura da segunda safra de milho. Com o fim da janela ideal de plantio se aproximando, cresce o risco de semeadura tardia e de maior exposição da cultura a condições adversas nas fases críticas de desenvolvimento, segundo análise divulgada pela EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola por satélite.

O acumulado de precipitação superou 80 milímetros em Goiás, Minas Gerais, São Paulo e em partes de Mato Grosso do Sul e do Matopiba no período recente. Em Mato Grosso, o volume acima da média climatológica persiste desde o início da semana, e os modelos climáticos americano (GFS) e europeu (ECMWF) indicam manutenção do padrão chuvoso nos próximos dias, mantendo o ritmo das operações sob pressão.

Em Mato Grosso do Sul, a previsão aponta redução temporária das chuvas até pelo menos 6 de março, o que pode permitir avanço da colheita e da semeadura. A expectativa de retorno das precipitações entre oito e dez dias, porém, limita o tempo disponível para recuperar o atraso.

Goiás apresenta quadro heterogêneo. No sul do Estado, os volumes previstos variam entre 10 milímetros e 40 milímetros nos próximos dez dias. Já no norte goiano, as chuvas podem se aproximar de 200 milímetros, restringindo de forma mais intensa as operações agrícolas.

“No período entre 19 e 26 de fevereiro, foi observada elevação relevante dos níveis de umidade em diversas regiões produtoras, principalmente do Centro ao Norte e Nordeste do País. Por outro lado, nas áreas onde o plantio já foi concluído, a maior disponibilidade hídrica tende a favorecer a germinação, a emergência e o desenvolvimento inicial do milho safrinha”, afirmou o analista de culturas da EarthDaily, Felippe Reis, em nota.

No Sul do País, o cenário é distinto. O Paraná deve registrar volumes abaixo da média nos próximos dias, o que tende a favorecer o avanço dos trabalhos de campo. No Rio Grande do Sul, o aumento recente da umidade do solo tem contribuído para a recuperação das lavouras após a seca observada em janeiro e no início de fevereiro.

A atenção na Região Sul também se volta às temperaturas. O GFS projeta onda de calor mais intensa e abrangente, com máximas acima de 38ºC atingindo grande parte da região e áreas de Mato Grosso do Sul. O ECMWF também indica temperaturas acima da média nessas localidades, embora com menor intensidade. Na Bahia, as chuvas recentes contribuíram para a recuperação das lavouras de verão, movimento refletido na melhora do NDVI, indicador que mede o vigor vegetativo das plantas.