O clero católico e ortodoxo grego, assim como as freiras, permanecerão na Cidade de Gaza apesar dos planos israelenses de ocupação militar, indicaram as comunidades religiosas em um comunicado conjunto nesta terça-feira (26).
“Quando o comunicado foi feito, estavam em vigor ordens de evacuação em bairros da Cidade de Gaza. Relatos de fortes bombardeios continuam sendo recebidos”, afirmaram o patriarca latino e o patriarca ortodoxo de Jerusalém.
“Não sabemos o que acontecerá no terreno, não apenas para nossa comunidade, mas para toda a comunidade”, acrescentaram.
Centenas de deslocados foram abrigados desde o início da guerra nos acampamentos gregos ortodoxos de São Porfírio e da Sagrada Família católica.
Ataques israelenses atingiram a igreja da Sagrada Família em julho, matando três pessoas e ferindo outras dez.
“Entre aqueles que buscaram refúgio nos acampamentos, muitos estão frágeis e desnutridos devido às dificuldades vividas nos últimos meses”, indicou o comunicado.
“Sair da Cidade de Gaza ou tentar se locomover para o sul é quase uma sentença de morte. Por essa razão, o clero e as freiras decidiram permanecer e continuar cuidando daqueles que estão nos acampamentos”, acrescentou.
Há cerca de 650 católicos e cristãos ortodoxos na Faixa de Gaza, entre eles cinco padres e cinco freiras, disse o patriarca latino à AFP nesta terça-feira.
O gabinete israelense aprovou, no início de agosto, um plano militar para ocupar a Cidade de Gaza, apesar das pressões internacionais pela situação humanitária no local.
As Nações Unidas declararam na última sexta-feira que há fome em Gaza. O conflito começou com o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que causou a morte de 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo um levantamento baseado em números oficiais.
A ofensiva israelense em Gaza já matou pelo menos 62.819 palestinos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde deste território governado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
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