A cantora Claudya celebra seis décadas de uma das trajetórias mais versáteis da música popular brasileira com a estreia da turnê “Deixa eu dizer”. O espetáculo ocorre no dia 6 de março, na Casa Natura Musical, em São Paulo, consolidando um momento de celebração e memória. No palco, a artista recebe convidados que sintetizam diferentes épocas da canção: a lenda da bossa nova Alaíde Costa, o intérprete Ayrton Montarroyos e a cantora Patricia Marx.
Show marca a abertura da temporada nacional em comemoração aos 60 anos de palco.
Repertório foca nos álbuns icônicos da década de 1970 e homenageia Marcos e Paulo Sérgio Valle.
Projeto coincide com o relançamento em vinil dos discos Jesus Cristo (1971) e Deixa Eu Dizer (1973).
Trajetória da artista inclui festivais internacionais, protagonismo no musical Evita e ressurgimento via sample de Marcelo D2.
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O encontro geracional no palco
A turnê “Deixa eu dizer” propõe uma escuta atualizada da discografia de Claudya, fugindo da nostalgia estática para apostar na força da interpretação ao vivo. A presença de Alaíde Costa confere ao show uma dimensão histórica, unindo duas vozes que ajudaram a redefinir o papel feminino na música entre os anos 60 e 70. Enquanto Ayrton Montarroyos traz a pesquisa vocal contemporânea, Patricia Marx adiciona uma camada urbana ao encontro.
Segundo a artista, o objetivo é revisitar obras que marcaram o auge da era dos festivais e da indústria fonográfica brasileira. “Levarei para o palco o melhor das canções que gravei na década de 70 como: ‘Menina Fulô’, ‘Só que deram o zero pro Bedeu’ e ‘Pois é, seu Zé'”, afirma Claudya.
Do ‘Fino da Bossa’ ao fenômeno das fake news
Nascida Maria das Graças Rallo e revelada profissionalmente em São Paulo, Claudya foi uma das estrelas de O Fino da Bossa, dividindo o palco com nomes como Elis Regina e Jair Rodrigues. Foi nesse período que a cantora enfrentou o que hoje se classifica como fake news: uma rivalidade fabricada pela produção televisiva com Elis Regina para impulsionar a audiência frente ao programa Jovem Guarda.
“A intenção deles era botar mais lenha na fogueira. Queriam fomentar rivalidade, briga — e eu não queria nada disso. Eu queria cantar, trabalhar, ganhar meu dinheiro”.
Claudya
O episódio, embora doloroso, impulsionou Claudya a buscar novos mercados, incluindo uma temporada bem-sucedida de seis meses no Japão e a vitória em festivais internacionais.
A resiliência de uma voz transversal
A carreira de Claudya é marcada por momentos de ruptura. Em 1983, desafiou a crítica ao protagonizar a versão brasileira do musical Evita, papel que lhe rendeu elogios e prêmios. Contudo, foi em 2008 que sua voz alcançou a Geração Z de forma orgânica: o sample de sua gravação de “Deixa Eu Dizer” (1973) foi a base do hit “Desabafo”, de Marcelo D2. O sucesso catapultou sua obra original para trilhas sonoras internacionais e novas plataformas de streaming.
Hoje, aos 77 anos, a artista mantém o rigor técnico e o timbre quente que a tornaram uma das intérpretes mais respeitadas por historiadores e pesquisadores musicais. Para o pesquisador Ricardo Santhiago, Claudya possui uma “percepção musical absolutamente única”, justificando a importância de registrar sua trajetória como um pilar de resistência na cultura nacional.
Serviço
Show: Claudya – Estreia da turnê “Deixa eu dizer”
Data: 6 de março (quarta-feira)
Local: Casa Natura Musical – Rua Artur de Azevedo, 2134, Pinheiros, São Paulo
Participações: Alaíde Costa, Ayrton Montarroyos e Patricia Marx.