Cirurgia mais segura

Pouca gente sabe, mas determinadas cirurgias exigem o monitoramento das funções neurológicas, a exemplo do que já é feito com as funções cardíacas

O cuidado deve ser adotado em qualquer procedimento que envolva o risco de dano a estruturas do sistema nervoso. Entre eles, estão as operações para a extração de tumores e aneurismas cerebrais, correção de deformidades na coluna vertebral, algumas cirurgias otorrinolaringológicas nas quais pode haver chance de lesão de nervos faciais e outras de cabeça e pescoço.

O alerta vem sendo feito por médicos especializados neste tipo de atendimento, ainda pouco difundido no Brasil. Apenas alguns hospitais de referência, como o Hospital das Clínicas de São Paulo, contam com o serviço. Na rede conveniada, é possível solicitar o acompanhamento às operadoras de saúde, desde que solicitado pelo médico.


A monitorização é feita antes, durante e após as cirurgias. No pré-operatório são realizados exames como o eletroencefalograma, que avalia a atividade cerebral, e a eletroneuromiografia, que detecta alterações nos nervos periféricos.

Durante o procedimento, eletrodos são colocados em pontos vitais para que, se houver algum problema – a interrupção da passagem de sinal nervoso, por exemplo -, a equipe médica seja imediatamente comunicada. E depois para ajudar na avaliação do resultado.

“A cirurgia fica mais segura”, afirma o neurologista Daniel de Souza e Silva, integrante da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica e especialista na monitorização. “As pessoas aceitam se operar sem monitorar o sistema nervoso. Elas não sabem o risco que correm.”






Sobre o autor

Cilene Pereira é editora da Revista ISTOÉ e tem 30 anos de jornalismo. Antes de integrar a equipe da revista, trabalhou no Jornal do Brasil, no Jornal O Estado de S.Paulo e no Jornal O Globo


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