Cirurgia avançada pode ser a solução para gravidez de quem sofre com endometriose


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Responsável por 50% dos casos de infertilidade feminina, a endometriose acomete entre 9 a 13% das mulheres no mundo todo. Causado pelo crescimento anormal do endométrio (tecido que reveste o útero) fora do órgão, o problema vem sendo mais estudado nos últimos anos. Com isso, ampliou-se o entendimento sobre a doença. De acordo com o ginecologista Waldir Inácio Jr., especialista no assunto, hoje já se sabe, por exemplo, que o problema não é decorrente do fluxo menstrual. “A mulher nasce com endometriose. Por isso, irmãs têm mais chance de ter. E já se estudaram natimortos do sexo feminino que tinham endometriose”, afirma ele.

A endometriose é um problema sério para mulheres em idade fértil, uma vez que a doença altera a anatomia do aparelho reprodutor feminino. E a terapia hormonal fica inviabilizada, já que impede a gravidez. Por isso, é muito comum se fazer inseminação e até fertilização in vitro (proveta) na tentativa de conseguir a gravidez. Foi o que aconteceu com a fisioterapeuta paulista Gisele de Castro Ferreira, 39 anos. Aos 33, diagnosticada com endometriose, ela tentou engravidar de diversas formas: coito programado e inseminação. Não deu certo. “Fui para a FIV e engravidei. Mas perdi aos dois meses de gestação. É um processo muito dolorido e caro”, diz Gisele.

Mas ela quis tentar mais uma vez e, de novo, engravidou e perdeu. Tentou, então, fazer a cirurgia laparoscópica avançada, na qual eliminam-se todos os focos de endometriose. “Quando retirada de forma completa, o problema não volta e não há mais necessidade de tomar qualquer medicamento”, afirma o ginecologista Waldir Inácio Jr. Gisele submeteu-se a uma cirurgia de oito horas de duração para que todos os focos fossem retirados. “Foi a melhor coisa que fiz. Depois de alguns meses eu estava grávida. Hoje, meu filho, Gabriel, está com 1 ano e meio e é a alegria da minha vida”, comemora.

O conceito de tirar todos os tecidos da endometriose foi desenvolvido pelo cirurgião americano David Redwine. E a técnica cirúrgica foi desenvolvida pelo grupo do qual faz parte o ginecologista Inácio. Hoje ainda são poucos os médicos que a ministram no Brasil. “O conceito de se retirar a endometriose de todos os órgãos nos quais está instalada e não só nos focos ainda é novo, mas os resultados comprovam sua efetividade”, diz o médico.


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Sobre o autor

Cilene Pereira é editora da Revista ISTOÉ e tem 30 anos de jornalismo. Antes de integrar a equipe da revista, trabalhou no Jornal do Brasil, no Jornal O Estado de S.Paulo e no Jornal O Globo


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