Caso Master: Ciro Nogueira é alvo de operação da Polícia Federal

Agentes realizaram busca e apreensão na residência do senador; primo de Daniel Vorcaro foi preso

Ciro Nogueira (PP-PI): senador foi alvo de operação da PF na investigação do caso Master
Ciro Nogueira (PP-PI): senador foi alvo de operação da PF na investigação do caso Master Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira, 7, 10 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária pela quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga o escândalo do Banco Master.

Um dos alvos de busca e apreensão é o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP. A IstoÉ entrou em contato com o parlamentar, mas não teve retorno até a publicação desta notícia, que será atualizada em caso de manifestação.

Felipe Vorcaro, primo do proprietário do Master, Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente.

As ações foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal). A decisão judicial autorizou, ainda, bloqueio de bens e direitos no valor de R$ 18,85 milhões.

O que a decisão diz sobre Ciro Nogueira

“Indicado como destinatário central das vantagens indevidas e como agente público que, em tese, instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados de Vorcaro”.

“Os elementos descritos na representação são suficientes para indicar, em tese, o estabelecimento de um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos, extrapolando relações de mera amizade”.

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‘Amigo de vida’: a relação entre o senador e Vorcaro

Conforme as mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, o banqueiro se referiu ao senador como um de seus “grandes amigos de vida” e disse desejar apresentá-lo à namorada em 17 de maio de 2024.

Em 13 de agosto, o banqueiro comemorou um projeto do senador. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro“, escreveu.

A data coincide com a da emenda à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de autonomia financeira do Banco Central, apresentada pelo piauiense, para aumentar o valor coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão.

Segundo a decisão de Mendonça, a emenda foi redigida pela assessoria do Master. A cobertura do FGC era uma das principais estratégias do banco para alavancar os investimentos em seus CDBs (Certificados de Depósitos Bancários). O banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez.

PF ainda encontrou menções de pagamento a uma pessoa de nome “Ciro” nas conversas de Vorcaro com seu cunhado, Fabiano Zettel, considerado seu operador financeiro. Em maio de 2024, Zettel enviou ao banqueiro uma lista pedindo autorização a diversos pagamentos a serem feitos. “Preciso que me ordene as prioridades. […] 2. Pagamento pra Ciro”, escreveu. O banqueiro, então, autorizou os repasses.