Venezuela, hóquei e interrupções: como foi o discurso de Trump

Presidente dos EUA fez discurso do Estado da União mais longo da história

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, durante discurso do Estado da União
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, durante discurso do Estado da União Foto: AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez o discurso mais longo da história sobre o Estado da União e falou sobre tudo: economia, América Latina e Irã, entre outros temas. Com uma hora e 47 minutos, ele superou o recorde anterior de uma hora e 20 minutos, estabelecido pelo ex-presidente democrata Bill Clinton em 2000.

A fala foi mais longa que o discurso de Trump ao Congresso no ano passado, que durou uma hora e 40 minutos. A seguir, cinco momentos importantes do discurso:

– “Segurança” na América Latina –

“Estamos restaurando a segurança e o domínio dos Estados Unidos” na América Latina, disse Trump, que celebrou a queda do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado por forças americanas em janeiro. A aparição no plenário do Congresso americano do ex-candidato à presidência venezuelano Enrique Márquez, que acabou de sair da prisão em Caracas, foi um momento de grande emoção.

O republicano também afirmou que os serviços de inteligência dos Estados Unidos desempenharam um papel decisivo para que o Exército do México localizasse e matasse Nemesio “El Mencho” Oseguera, chefe do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).

– Tensão com a Suprema Corte –

Ao entrar no Capitólio, Trump apertou a mão de vários juízes da Suprema Corte, incluindo três que votaram na semana passada para anular as tarifas globais que o republicano havia transformado em sua política econômica emblemática.

Trump expressou descontentamento durante o discurso e chamou a decisão de “muito lamentável”. Mas não falou muito sobre o tema e disse que seu governo trabalha em uma solução jurídica para manter as tarifas.

– Congressista interrompe Trump –

A tensão aumentou quando a representante democrata Ilhan Omar gritou com o presidente enquanto ele falava. “Vocês deveriam ter vergonha”, disse Trump aos democratas que se recusaram a se levantar durante todo o discurso. “Vocês mataram cidadãos americanos”, gritou Omar em resposta, em referência às mortes de dois manifestantes que protestavam contra as operações anti-imigração de agentes federais enviados a Minneapolis no mês passado. A congressista deixou o local antes do fim do discurso de Trump.

– Equipe olímpica –

Um dos poucos momentos de unidade em um discurso marcado pelas divisões entre republicanos e democratas aconteceu quando a equipe olímpica masculina de hóquei dos Estados Unidos, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno, entrou no plenário.

Os presentes levantaram, aplaudiram e gritaram “USA, USA”.

– Resistência dos democratas –

Normalmente, durante o discurso sobre o Estado da União, os congressistas aplaudem e se levantam para mostrar que concordam com o presidente ou permanecem sentados para expressar descontentamento.

Desta vez, dezenas de democratas não compareceram ao evento e muitos dos que estavam no Congresso permaneceram sentados, exceto em raras ocasiões. Vários estavam vestidos de branco para homenagear o movimento sufragista, que celebra o direito de voto das mulheres, ou exibiam emblemas que cobravam a responsabilização das pessoas citadas nos arquivos sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Em um ato de resistência, o congressista democrata Al Green foi expulso por levantar um cartaz com a frase “Negros não são macacos!”, em resposta a um vídeo racista compartilhado por Trump no qual o ex-presidente democrata Barack Obama e sua esposa, Michelle, apareciam representados como primatas.