Comportamento

Cinco minutos decisivos no Pacífico

A superprodução “Midway” reencena como os EUA aniquilaram a frota japonesa, em uma batalha que reuniu estratégia, sacrifícios, sorte e até um diretor de cinema

Crédito: Divulgação

YORKTOWN Japoneses acreditavam ter afundado dois porta-aviões em vez de um (Crédito: Divulgação)

O ataque japonês ao Havaí, em 7 de dezembro de 1941, colocou os Estados Unidos na Segunda Guerra. Em cartaz desde 20 de novembro, a superprodução hollywoodiana “Midway” apresenta ao grande público, com alguma precisão, como seis meses depois se desenrolou o grande revide americano, que afundou o grosso da frota inimiga. É uma história repleta de lances cinematográficos. Do ponto de vista militar, foi o fim dos grandes encouraçados, suplantados no mar pela aviação embarcada em porta-aviões. Sem troca de canhonaços, foi a primeira batalha naval ocorrida a milhares de quilômetros de uma costa continental, no meio do Oceano Pacífico, perto do atol de Midway.

A intenção japonesa era liquidar a frota americana remanescente para assim dominar o Pacífico. Só que eles ignoravam que suas intenções eram conhecidas. O resgate de um livro de códigos do corpo de um oficial japonês deu vantagem aos americanos, que esperaram o primeiro ataque ao atol para revidar. A batalha ocorreu em 4 de junho.

AVIAÇÃO A primeira grande batalha naval sem troca de tiros de canhão. Bombardeiros prestes a atacar cruzador Mikuna em chamas

Os japoneses acreditavam estar diante de dois, em vez de três porta-aviões. A cautela excessiva do almirante japonês Nagumo ajudou os americanos. Nagumo não quis encarar os americanos antes do retorno da esquadrilha que atingiu o atol. Agressivo, o almirante Nimitz mandou atacar com tudo. Seus pilotos foram massacrados. Até que uma esquadrilha que havia se atrasado encontrou o inimigo sem cobertura. Os pilotos japoneses, mais hábeis e com caças melhores, estavam sem munição. Com bombardeiros pesados e antiquados, os americanos explodiram os porta-aviões Kaga, Soryu e Akagi em cinco minutos. Logo, acertaram o Hiryu. Pelos próximos três anos e três meses, o Japão só se defenderia.

Documetário

Quis o acaso que o consagrado diretor de cinema John Ford estivesse em Midway. Ele documentava a rotina da guarnição. Ao ouvir os primeiros estrondos, saiu com uma câmera. Acabou ferido. Suas imagens serviriam para o documentário curta-metragem “A batalha de Midway” (disponível no Netflix). Os militares americanos tiveram receio de mostrar tanta destruição, mas cederam quando Ford enviou uma cópia ao presidente Franklin Roosevelt. Em uma das cenas, o diretor mostra o filho do presidente, o major James Roosevelt. “Quero que toda mãe nos Estados Unidos veja esse filme”, disse o presidente. A batalha foi um dos primeiros momentos em que o cinema captou a história.


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