Cidade italiana de Bergamo fará homenagem às vítimas da Covid

AFP
Caixões em um armazém na Ponte San Pietro, perto de Bérgamo, norte da Itália Foto: AFP

MILÃO, 28 JUN (ANSA) – A cidade de Bergamo, na Itália, que virou um dos símbolos da tragédia humanitária causada pelo coronavírus (Sars-CoV-2), fará uma homenagem às vítimas da doença neste domingo (28). O cemitério da capital da província homônima contará com a presença da orquestra e do coral Donizetti Opera que, usando máscaras e respeitando o distanciamento social, executarão um réquiem composto no local. Participarão da cerimônia o presidente da Itália, Sergio Mattarella, e os prefeitos das 324 cidades que fazem parte da província.

Bergamo ficou mundialmente famosa após uma foto com caminhões militares aguardando por corpos das vítimas da Covid-19 ter sido divulgada. O volume de vítimas era tão grande que não havia mais espaço no crematório e no cemitério local para os enterros.

Com a homenagem de hoje, a província quer dar um adeus formal a tantas pessoas que não puderam ter um funeral. No entanto, os familiares não poderão ir até o cemitério porque seriam tantas pessoas que seria impossível garantir que não houvesse aglomeração no local.

Os moradores serão representados, simbolicamente, pelos músicos – que também viveram na pele a dor da perda de entes queridos.

Esse é o caso de Ezio Rovetta, que toca trompa, e que lembrará de seu pai, Teodoro, de 94 anos, e de sua irmã, Letizia, 59 anos, que faleceram pelo coronavírus. O próprio artista também contraiu a doença e foi internado com sua irmã. Foi a última vez que se viram, ao entrar no hospital em 13 de março.

Caso semelhante do diretor da orquestra, Riccardo Frizza, que contraiu a Covid-19 junto com toda a sua família. “Nós tivemos sorte porque foi uma forma leve, mas a ansiedade, a preocupação, nos invadiu. Em nível emocional, foi o período mais difícil da minha vida”, explicou. A província de Bergamo é uma das mais atingidas da Itália durante a pandemia, sendo a quarta mais afetada no país.

Diversas análises divulgadas pelo Instituto de Estatística Italiano (Istat), mostram que Bergamo teve alta no número de mortes de até 568% em março, pico da crise, quando comparado com o mesmo período entre 2015 e 2019 – e que a expectativa de vida na localidade pode cair entre cinco e seis anos por conta da Covid-19. (ANSA)