ROMA, 25 OUT (ANSA) – Criar cidades mais inteligentes e sustentáveis para o futuro, as chamadas “cidades de 15 minutos”, é um assunto que também começa a entrar na pauta dos italianos.   

O assunto chegou a ser citado por alguns políticos italianos recém-eleitos, como no caso do novo prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, e do reeleito em Milão, Giuseppe Sala, mas ainda é visto com ceticismo pela maior parte dos italianos.   

Enquanto Gualtieri chegou a citar o conceito em seu plano de governo, Sala foi questionado e disse estar de acordo com a implementação de uma proposta do tipo em Milão.   

O modelo criado pelo franco-colombiano Carlos Moreno – e que é a base da proposta de reeleição da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, – prevê a reorganização dos espaços urbanos para que o cidadão possa fazer tudo a pé dentro de 15 minutos: ir para o trabalho, fazer compras, buscar atendimento médico, ir para espaços esportivos e culturais, além de bares e restaurantes.   

Assim, há uma natural redução para o uso de automóveis ou transporte público, reduzindo o tráfego e a poluição, e fazendo com que os moradores “redescubram” os locais onde vivem.   

Em Paris, no seu primeiro mandato, Hidalgo tomou algumas medidas no sentido da sustentabilidade, com a limitação na circulação de carros, ampliação de ciclovias e abertura de mais ruas só para pedestres. Em sua campanha para o segundo mandato, em julho do ano passado, apresentou o projeto de Moreno como uma das bases de sua reeleição.   

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Chamada em francês de “ville de quart d’heure” (“cidade de um quarto de hora”), a iniciativa quer tornar os bairros mais eficientes e também se inspirou em soluções adotadas em outros países, como no Canadá, Austrália e Singapura. Cada local adaptou o “tempo” da proposta, que varia de 20 a 45 minutos para os deslocamentos de acordo com a realidade da cidade.   

Segundo uma recente pesquisa encomendada pelo ONG Legambiente para o instituto Ipsos, os italianos concordam com a proposta de alcançar os principais serviços em 15 minutos e apoiam as políticas que reduzam a necessidade de se deslocar de carros ou transporte público.   

No entanto, a maioria acredita que isso é um projeto que não se aplica na atual realidade italiana. Mais de 75% apoiam a ideia no país, mas apenas 25% consideram ela realística de ser aplicada.   

A pesquisa mostrou que quase 80% dos italianos usam o carro para se locomover, mesmo nas grandes cidades, onde há um maior uso do sistema integrado de transporte público.   

A Legambiente repassou os dados da pesquisa para o ministro de Infraestrutura e de Mobilidade Sustentável, Enrico Giovannini, para considerar mudanças na esteira das alterações provocadas forçadamente pela pandemia de Covid-19. (ANSA).   


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