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Ciberguerreiros advertem sobre risco do teletrabalho para segurança

Ciberguerreiros advertem sobre risco do teletrabalho para segurança

Jaak Tarien, diretor do Centro de excelência de ciberdefesa cooperativa da Otan, em apresentação no Cyber Range da Otan, em 1o de outubro de 2020 em Tallin, na Estônia - AFP

Os “ciberguerreiros” que operam na fronteira leste da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) alertam que o número crescente de funcionários em trabalho remoto, devido à pandemia da covid-19, aumenta a vulnerabilidade a ataques cibernéticos.

A Estônia conta com duas células cibernéticas da Aliança Atlântica, lançadas após uma série de ataques cibernéticos procedentes da Rússia há mais de dez anos.

“Recorrer em larga escala ao trabalho a distância atraiu espiões, ladrões e bandidos”, disse o diretor do Centro de Excelência de Ciberdefesa Cooperativa da Otan (CCDCOE), Jaak Tarien, à AFP.

A crescente quantidade de informação que circula entre os servidores institucionais e redes domésticas deu lugar a novos desafios para os empresários.

“Enfrentar esses novos desafios é complicado e requer muitos recursos, além de uma abordagem distinta”, enfatizou Tarien.

“Provavelmente, estamos apenas arranhando a superfície [do problema] para avaliar o alcance das atividades maliciosas no ciberespaço, muito frequentado na era da covid-19”, acrescentou.

Uma investigação feita em toda Europa em setembro revelou que cerca de um terço dos empregados está trabalhando em casa.

– Boom dos cursos on-line –

Essas preocupações são repetidas por especialistas do Cyber Range Center da Otan, zelosamente protegido com arame farpado em Tallinn e administrado pelas forças de defesa da Estônia.

Suas salas de servidores oferecem uma plataforma para realizar exercícios e práticas de treinamento da Otan em cibersegurança.

“Os especialistas puseram em funcionamento uma infraestrutura de trabalho, mas não podem controlar a forma como as pessoas usam a Internet em casa, nem o grau de segurança observador”, afirmou o chefe do Departamento de Ciberpolítica do Ministério estoniano da Defesa, Mihkel Tikk.

Segundo Tikk, os últimos ciberataques tiveram como alvo o setor de saúde da Estônia e a identificação digital de telefonia móvel (“Mobile-ID”).

A pandemia também afetou o funcionamento dos próprios cibercentros e forçou o cancelamento dos exercícios presenciais.

O Centro de Ciberdefesa da Otan destacou, porém, que seus cursos on-line sobre cibersegurança estão se tornando cada vez mais populares, como o “Recursos operacionais frente a ameaças cibernéticas” e “Como evitar ataques e defender sistemas de TI”.

No início de setembro, 6.411 pessoas estavam matriculadas nesses cursos. O Centro espera chegar a 10 mil inscritos até o final do ano.

– “Erro monumental” –

A decisão de inaugurar o Centro de Ciberdefesa surgiu após vários ciberataques bastante sofisticados contra “sites” da Estônia, em 2007.

O movimento político de jovens russos pró-Kremlin Nachi assumiu a responsabilidade por esses ataques.

Hoje, a Estônia enfrenta um “fluxo contínuo de ataques” e, para evitá-los, é necessário um trabalho constante, disse à AFP o ministro da Defesa do país, Juri Luik.

Segundo ele, no entanto, a situação da Estônia é “bastante boa”, pois lições foram tiradas de experiências passadas.

“Trabalhamos assiduamente para garantir que as redes de informática sejam difíceis de penetrar e para que a comunicação esteja criptografada, tanto militar quanto civil”, relatou.

O ministro ressalta que todo esse trabalho seria inútil sem a higiene virtual básica, que também passa pela proteção das senhas.

“É extremamente importante e deve ser lembrado, sobretudo agora, que muitas pessoas trabalham de casa, pelo computador”, insistiu.

“Em casa, você pode baixar a guarda, e isso é, claro, um erro monumental”, frisou.

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