Cultura

Christian Bale prefere interpretar Dick Cheney a Trump

Christian Bale prefere interpretar Dick Cheney a Trump

Christian Bale em coletiva de imprensa na 69ª edição da Berlinale em Berlim, na Alemanha, em 11 de fevereiro de 2019 - AFP

O ator britânico Christian Bale, ganhador do Globo de Ouro pelo protagonista do filme “Vice”, afirmou nesta segunda-feira em Berlim que o vice-presidente de George W. Bush, Dick Cheney, é um personagem muito melhor que Donald Trump para interpretar.

“Dick Cheney teve um papel extraordinariamente central durante estas últimas décadas nos Estados Unidos e em situações políticas mundiais”, disse Bale, indicado ao Oscar de melhor ator por este personagem, ao apresentar em coletiva de imprensa na Berlinale o longa “Vice”, de Adam McKay, que está fora de competição.

“Apesar de que poder ter conduzido a esta era, ele é completamente diferente de Trump no sentido de que Cheney sempre foi muito ruim de campanha política e não gostava nada disso. Já Trump parece ser a única coisa que ele gosta”, disse à imprensa.

“Cheney entendeu o poder do silêncio (…). Não podemos dizer isso de Trump. Ele gostava de saber que o verdadeiro poder estava nas sombras e de trabalhar desta forma”.

Bale disse ser incapaz de se imaginar fazendo os esforços necessários para encarnar o atual ocupante da Casa Branca porque acha seu personagem pouco interessante.

“Acho que teria muitas pessoas melhores interpretando Trump. Provavelmente você viu algumas imitações bem boas dele”, disse.

De acordo com Bale, “em termos de consequências reais das eleições que participou, de poder, entre outras, (Cheney) é muito mais poderoso e aterrorizador que qualquer outro personagem que eu tenha estudado para interpretar”, explicou.

“Uma coisa essencial é saber que vocês ficarão obcecados com ele (Cheney) durante pelo menos três meses”, garantiu o ator, irreconhecível no filme.

Cheney representa a linha-dura dos neoconservadores americanos e foi secretário da Defesa de 1989 a 1993, durante a primeira Guerra do Golfo (1991).

Foi criticado por suas afirmações sobre a presença de armas de destruição em massa no Iraque e por justificar a tortura, que chamava de “técnicas melhoradas de interrogatório”.