Mulher condenada à morte sobrevive a 2 injeções letais nos EUA

Mulher de 50 anos, condenada por assassinato em 1995, teve coração batendo após duas doses de injeção letal

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Uma mulher de 50 anos, condenada à morte nos Estados Unidos, Christa Pike, sobreviveu a duas tentativas de execução por injeção letal na última quarta-feira (30), na penitenciária de Riverbend, em Nashville, Tennessee. O incidente, que envolveu a administração do sedativo pentobarbital, levantou sérias questões sobre a aplicação da pena capital no estado.

Pike deveria cumprir a pena capital na penitenciária de segurança máxima de Riverbend. Após receber duas doses do sedativo pentobarbital, medicamento geralmente utilizado para eutanásia de presos condenados à morte, o coração dela continuou batendo. Segundo seus advogados, era possível até ouvi-la roncar, o que chocou as autoridades presentes.

Após o procedimento falho, a detenta foi levada a um hospital próximo, mas seu estado de saúde permanece desconhecido. Em nota oficial, a defesa de Pike relatou “dificuldade de acesso às veias” durante as tentativas, bem como “veias rompidas, pentobarbital degradado e ausência de assistência médica de emergência”.

Estado do Tennessee falhou na execução?

Os advogados da condenada foram categóricos ao afirmar: “O estado do Tennessee falhou novamente na execução de uma pena de morte legal”. Este incidente intensifica o debate sobre a eficácia e a humanidade dos métodos de execução utilizados nos Estados Unidos.

Após o episódio, o governador republicano do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão de todas as execuções no estado até o fim do ano. Além disso, Lee ordenou uma revisão independente do caso para apurar as falhas que levaram ao resultado inesperado. Na última segunda-feira (28), o governador havia rejeitado os pedidos de comutação da pena de Christa Pike, apesar de apelos de organizações de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional.

A Suprema Corte dos Estados Unidos havia dado luz verde à execução na madrugada de quarta-feira. A decisão do tribunal superior derrubou uma suspensão emitida por um tribunal federal, que buscava examinar possíveis circunstâncias atenuantes não consideradas no julgamento original da década de 1990.

Qual a história por trás da condenação de Christa Pike?

Christa Pike foi condenada à morte pelo brutal assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. O crime ocorreu em Knoxville e foi motivado por uma rivalidade amorosa entre as duas, que participavam de um programa de formação profissional.

Pike acreditava que Slemmer estava tentando roubar seu namorado de 17 anos, Tadaryl Shipp. Com o auxílio de uma amiga, Shadolla Peterson, 18, o casal atraiu a vítima para uma usina abandonada perto da Universidade do Tennessee. No local, Slemmer foi espancada até a morte de forma bárbara.

Ainda durante o crime, Shipp fez dois pentagramas no corpo de Slemmer com um estilete. Para agravar a barbárie, Pike guardou um pedaço do crânio da colega como “souvenir” do assassinato, evidenciando a crueldade do ato. Christa Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.

Seu namorado, Tadaryl Shipp, foi condenado à prisão perpétua. Shadolla Peterson, a cúmplice, recebeu pena suspensa em troca de testemunhar contra Pike e Shipp, o que possibilitou a condenação dos dois. (Da IstoÉ com ANSA)