A americana Christa Pike, que sobreviveu a uma tentativa malsucedida de execução por injeção letal no Tennessee, recuperou a consciência e está falando, informaram seus advogados Randy Spivey e Kelly Gleason nesta terça-feira (6).
Pike, de 50 anos, havia sido condenada à morte por ter assassinado uma colega de classe em 1995, mas resistiu a duas doses de pentobarbital. Segundo Spivey e Gleason, a situação é “sem precedentes”.
A americana permanece internada em um hospital de Nashville desde a noite de 30 de setembro, quando foi submetida à execução na câmara da morte da Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville.
De acordo com seus defensores, ela continua algemada pelas mãos e pelos tornozelos e sofreu graves lesões nos braços em decorrência das infusões intravenosas de pentobarbital utilizadas no procedimento.
Seu estado de saúde ainda é considerado grave, e o prognóstico permanece incerto. “No mínimo, devemos esperar um longo período de recuperação”, afirmaram os advogados, agradecendo à equipe médica responsável pelo tratamento de Pike.
Pike tinha 18 anos quando espancou, torturou e matou Slemmer, de 19 anos, que havia conhecido em um acampamento com a finalidade de treinamento profissional para jovens. Ela foi condenada à pena de morte, enquanto sua cúmplice, que tinha 17 anos à época do crime, foi condenada à prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional.
O caso também expõe um paradoxo jurídico provocado pela execução fracassada. Pike permanece sob cuidados médicos, enquanto o próprio Estado do Tennessee arca com os custos de seu tratamento.
Segundo o especialista em direito constitucional David Raybin, que ajudou a elaborar o protocolo de execução do Tennessee, o Estado não pode simplesmente desligar os aparelhos para concluir a sentença. Uma medida desse tipo, afirmou, poderia configurar homicídio.
A legislação estadual também não permite que médicos interrompam tratamentos de suporte à vida nessas circunstâncias.
Para Raybin, cabe ao governo assumir as consequências financeiras e jurídicas de uma situação criada pela própria execução. “O governo deve arcar com os custos de uma situação que ele mesmo criou”, afirmou.
De acordo com o especialista, mesmo que a pena de morte de Pike venha a ser posteriormente comutada, os custos de seu tratamento podem chegar a milhares de dólares. A eventual retirada dos aparelhos de suporte à vida dependeria de um pedido dos familiares e, ainda assim, da autorização de um juiz.
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