Após seis dias sem postagens, em razão da prisão do seu fundador, Raphael Sousa Oliveira, pela Polícia Federal, o perfil Choquei no Instagram voltou a publicar neste feriado de terça-feira, dia 21.
A primeira postagem foi uma nota oficial da equipe de defesa técnica de Oliveira e da Choquei para prestar esclarecimentos ao público sobre os últimos acontecimentos. No último dia 15, a PF deflagrou uma operação que resultou na prisão dos funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo, do dono da página “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira, e do empresário Chrys Dias.
Eles são investigados por integrar um grupo que movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão através de rifas e apostas ilegais, com patrocínio do Primeiro Comando da Capital (PCC). Além deles, outras três pessoas ligadas ao setor artístico e de entretenimento também foram detidas, sob suspeita de envolvimento.
Abaixo, trechos da nota oficial em que diz que a “página nunca manteve qualquer vínculo com organização criminosa, tampouco prestou serviços com finalidade diversa daquela inerente à sua atividade econômica lícita, consistente em publicidade e marketing digital, no terma da legislação aplicável. No que se refere às pessoas mencionadas no contexto investigativo, esclarece-se que as relações profissionais existentes limitaram-se à prestação de serviços publicitários regularmente contratados, vinculados à divulgação de seus trabalhos artísticos, musicais e de suas atividades como influenciadores digitais, tal como ocorre e sempre ocorreu com diversos outros artistas, influenciadores e marcas atendidos a longo de sua trajetória no mercado. Ressalta-se ainda que o senhor Raphael jamais teve conhecimento de eventual intenção por parte de quaisquer dos investigados de utilizar as postagens realizadas pela páginas com o propósito de influenciar , mitigar e/ou abalar eventuais apurações ou crises perante autoridades policiais, inexistindo, portanto qualquer ciência ou participação em finalidade diversa de estritamente publicitária”.
+ Por que dono da ‘Choquei’, Poze, MC Ryan e Chrys Dias foram presos?
O que aconteceu
Funkeiros presos por lavagem dinheiro são suspeitos de movimentar R$ 1,6 bilhão com esquemas ilegais.
Raphael Sousa Oliveira, dono da “Choquei”, foi detido por “gestão de imagem e promoção digital” do grupo investigado. As investigações da Polícia Federal apontam ligação do esquema com o crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os envolvidos na operação da Polícia Federal
As prisões ocorreram em diferentes locais, com Raphael Sousa Oliveira detido em Goiânia e Poze do Rodo no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Segundo as investigações da Polícia Federal, os detidos são suspeitos de integrar uma complexa rede de lavagem de dinheiro e promoção de atividades ilícitas.
Qual era a função de cada suspeito, segundo a PF?
Raphael Sousa Oliveira, dono do “Choquei”
Raphael Sousa Oliveira, à frente do perfil “Choquei” com 27 milhões de seguidores no Instagram, é apontado pela PF como “operador de mídia da organização”. Sua função seria a de usar a página para “gestão de imagem e promoção digital” do grupo, divulgando conteúdos favoráveis a MC Ryan, promovendo plataformas de apostas e rifas, e atuando na contenção de crises de imagem decorrentes das apurações policiais. Ele teria recebido valores milionários de outros envolvidos na operação.

Raphael Sousa Oliveira
MC Ryan SP
Ryan de Oliveira Santana, conhecido como MC Ryan SP, de 25 anos, é natural de São Paulo e ganhou notoriedade com músicas focadas em ostentação. A Polícia Federal o investiga como líder do esquema de lavagem de dinheiro proveniente do crime organizado e do tráfico de drogas. O funkeiro utilizaria bets, rifas ilegais e empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para lavar os recursos ilícitos.
As apurações indicam que o grupo, sob a liderança de Ryan, transferia participações societárias para familiares e “laranjas”, visando desassociar o dinheiro ilícito de seus nomes. Posteriormente, esses valores seriam reinseridos na economia formal por meio da aquisição de imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor.
Poze do Rodo
Marlon Brendon Coelho Couto Silva, o Poze do Rodo, de 27 anos, é do Rio de Janeiro e construiu sua carreira com canções que retratam a realidade de sua origem. O funkeiro, que já mencionou ter trabalhado para o tráfico na adolescência e sido baleado e preso nesse período, foi detido no Recreio dos Bandeirantes. Embora a PF o aponte como parte do esquema, a função exata de Poze do Rodo ainda não foi detalhada. A defesa declarou desconhecer o teor do mandado de prisão. O artista já havia sido preso em outras duas ocasiões: em 2019, por apologia ao crime durante um show em Mato Grosso, e em 2024, em uma operação da Polícia Civil do Rio contra sorteios realizados por redes sociais.
Chrys Dias
O influenciador Chrys Dias, que soma 15 milhões de seguidores no Instagram e se apresenta como empresário de MC Ryan, também foi preso por suspeita de envolvimento no esquema. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Dias.
Rodrigo Inácio
Rodrigo Inácio Lima de Oliveira, fundador da GR6, a maior produtora de funk do país, foi outro alvo da operação e também preso por envolvimento com o grupo. A defesa de Inácio não foi localizada até o momento.