China vende estoques de milho de menor qualidade com desconto de 10%

Hong Kong, 30/5 – Empenhada em reduzir os amplos estoques de milho, a China vendeu parte do cereal mais velho bem abaixo do preço do mercado de grãos novos. Na sexta-feira, 27, o governo chinês vendeu 889,1 mil toneladas de milho colhido entre 2011 e 2012, cerca de 44% dos 2 milhões de toneladas disponíveis, conforme o Centro Nacional de Comércio de Grãos. O milho foi adquirido por produtores de álcool, amido e ração animal, indicando que já não é mais apropriado para consumo humano. A média de preço para o milho de 2012 foi de US$ 233,49 a tonelada, conforme o Centro, 9,8% abaixo dos US$ 259/tonelada negociados na Bolsa da China (Dalian Commodity Exchange) na última sexta-feira. Ainda assim, os preços na China continuam acima das cotações internacionais. Na Bolsa de Chicago, o contrato para julho fechou a US$ 4,1075 por bushel na sexta-feira, equivalente a US$ 161,70 a tonelada. Analistas avaliam que o leilão realizado na semana passada indica que os preços mais baixos estão atraindo compradores, com vendas maiores do que o esperado. “É uma demonstração de que o governo está disposto a reduzir o estoque de qualquer maneira e que a qualidade do cereal está baixa, diante do desconto”, afirma Aurelia Britsch, diretora de pesquisa na consultoria BMI Research. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) estima que a China tenha 101,5 milhões de toneladas de milho em estoque. O número é inferior às 250 milhões de toneladas que o governo chinês afirma ter em armazéns. No início do ano, o governo afirmou que liberaria a precificação do milho, deixando de interferir no mercado. A medida tem como objetivo evitar que os estoques se acumulem como anteriormente. O USDA estima que o programa de preço mínimo aos produtores custe no mínimo US$ 10 bilhões à China, já que o preço está abaixo do que foi pago. O país não pode manter o cereal estocado na espera de uma alta dos preços, pois o milho se deteriora. Analistas afirmam ser possível que parte do milho estocado já não tenha mais utilidade. As mudanças no mercado de milho integram um plano maior de melhoria da produtividade do setor agrícola do país, numa tentativa de evitar o aumento excessivo de produtos subsidiados. A política de preços mínimos se mantém para o milho e o trigo, mas já foi removida do algodão e da soja. Apesar disso, a China continua lidando com os desdobramento da política, tendo de desovar mais de 11 milhões de toneladas de algodão. O país tem realizado leilões, porém, o analista Tobin Gorey, do Commonwealth Bank of Australia, aponta que operadores têm relatado atraso nas entregas da fibra. “Se este gargalo continuar, os preços internacionais do algodão podem ser impulsionados”, disse. Fonte: Dow Jones Newswires.