Brasil

China vê riscos caso Bolsonaro seja ‘Trump Tropical’

SÃO PAULO, 1 NOV (ANSA)- O jornal estatal “China Daily” divulgou nesta quarta-feira (31) texto opinativo em que adverte que se o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, adotar políticas como as de Donald Trump, a principal prejudicada será a economia brasileira.   

“Ainda que Bolsonaro tenha imitado o presidente dos Estados Unidos ao ser vocal e ultrajante para captar a imaginação dos eleitores, não existe razão para que ele copie as políticas de Trump”, diz o texto. Desde a metade do ano, o presidente norte-americano sobretaxa cerca de US$ 250 bilhões em importações de produtos chineses, acusando Pequim de não respeitar patentes.   

Em outro trecho, o veículo chinês avisa que criticar o país “pode servir para algum objetivo político específico, mas o custo econômico pode ser duro para a economia brasileira, que acaba de sair de sua pior recessão na história”.   

“Até que ponto o próximo líder da maior economia da América Latina vai afetar a relação Brasil-China?” é o título do editorial, que caracteriza Bolsonaro com o “Trump tropical”. Durante a campanha presidencial, Bolsonaro criticou a China, além de ter feito, em fevereiro, uma visita a Taiwan, território sob controle chinês que quer a independência. A viagem irritou Pequim, que a considerou “uma afronta à soberania territorial do país”, em carta de protesto que manifestou “profunda indignação e preocupação” que poderiam causar “turbulências na parceria estratégica global Brasil-China”.   

“Não é uma surpresa, portanto, que as pessoas estejam se questionando se Bolsonaro irá, como o presidente americano fez, dar um golpe substancial à relação mutuamente benéfica Brasil-China”, considera o texto.”Ou que o Bolsonaro presidente coma naturalmente as palavras extremas do Bolsonaro candidato”, acrescentou.   

“Ele se daria conta de que a China é seu maior mercado exportador e primeira fonte de superávit comercial”, escreveu o jornal, que também lembrou que as duas economias são “complementares e dificilmente competidoras”. (ANSA)