Brasília, 21 – Passados um ano e seis meses, a China voltará a comprar frango proveniente do Rio Grande do Sul. A Administração Geral das Alfândegas do país (GACC) retirou a suspensão da importação de frango gaúcho. Em comunicado publicado na sua página oficial, o governo chinês afirmou que “com base nos resultados da análise de risco” as restrições da Doença de Newcastle no Rio Grande do Sul, no Brasil, serão suspensas a partir do anúncio”, datado de 16 de janeiro. O anúncio foi emitido em conjunto pela GACC e pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais.
A reabertura do mercado chinês ao frango proveniente do Rio Grande do Sul foi comunicada também pelo governo chinês ao governo brasileiro. A informação foi confirmada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.
A suspensão sobre as indústrias gaúchas estava relacionada à ocorrência de doença de Newcastle, após o caso registrado em julho de 2024 em um aviário em Anta Gorda, no Estado. Com a medida, o frango produzido no Estado desde a última sexta-feira (16) poderá ser exportado ao mercado chinês.
Com a medida, oito frigoríficos gaúchos voltam a acessar o mercado chinês com exportações de carne de frango e derivados. São eles: Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Erechim (SIF 68); BRF S.A., de Serafina Corrêa (SIF 103); Cooperativa Languiru Ltda, de Westfalia (SIF 730); JBS Aves Ltda, de Passo Fundo (SIF 922); Companhia Minuano de Alimentos, de Lajeado (SIF 1661); BRF S.A., de Marau (SIF 2014); JBS Aves Ltda, de Montenegro (SIF 2032); e Agrosul Agroavícola Indústrial S/A, de São Sebastião do Caí (SIF 4017). Estas unidades ainda constam como desabilitadas no sistema de Registro de Empresas Importadoras de Alimentos da China, gerido pela GACC, Ciferquery SingleWindow.
A China é o principal destino do frango gaúcho. Indústrias que atuam no Estado esperavam o desembargo juntamente com a liberação para os demais Estados na retirada de suspensão ao frango brasileiro relacionada à gripe aviária.
ABPA: retomada
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou a informação divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, com a comunicação oficial das autoridades chinesas sobre a reabertura do mercado da China para as exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul, após a superação do foco de doença de Newcastle registrado no Estado em julho de 2024.
Em nota, a APBA afirmou que a retomada do fluxo específico do Rio Grande do Sul reforça a confiança das autoridades chinesas no rigor técnico, na transparência e na capacidade de resposta do Brasil diante de eventos sanitários. “A China é um dos principais destinos da carne de frango do Brasil, com papel estratégico para o equilíbrio do comércio internacional do setor.”
A ABPA destacou, ainda, que a reabertura é resultado de um trabalho “incansável” de articulação técnica e diplomática, conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, sob a liderança do ministro Carlos Fávaro, com atuação direta do secretário de Comércio e Relações Internacionais da Pasta, Luís Rua, e do secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, além de suas respectivas equipes técnicas, adidos agrícolas e a Embaixada do Brasil em Pequim. “A decisão reafirma a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e o reconhecimento internacional do nosso modelo de resposta”, afirmou a associação.
Segundo a entidade, o processo envolveu diálogo permanente com as autoridades chinesas, envio de informações detalhadas, comprovação das ações de controle e erradicação, e alinhamento aos protocolos internacionais de saúde animal. “Com a reabertura, é concluído mais um passo relevante no processo de normalização plena dos fluxos comerciais, reforçando a posição do Brasil como fornecedor confiável e previsível de proteína animal no mercado global”, concluiu a ABPA.