Brasil-China: evento em Brasília projeta investimentos verdes e inovação tecnológica

Em encontro marcado pelo fortalecimento da cooperação bilateral, autoridades e empresários discutem como o planejamento de longo prazo de Pequim pode impulsionar a reindustrialização e a economia verde no Brasil

Evento Brasil/China em Brasília
Foto: Saulo Cesar Cruz/Divulgação

Brasília tornou-se o epicentro do debate sobre o futuro das relações transcontinentais nesta quarta-feira, 18 de março. O evento “China na Primavera: Desenvolvimento da China, Oportunidades para o Mundo”, realizado no hotel Meliá 21, reuniu um grupo de autoridades brasileiras, líderes empresariais e representantes da mídia para discutir como a modernização chinesa pode servir de motor para o crescimento global e, especificamente, brasileiro.

Resumo

  • O encontro: Brasília sediou o “China na Primavera: Diálogo Global”, organizado pelo China Media Group (CMG) e a Embaixada da China.

  • Presenças: participaram ministros de Estado, como Luiz Marinho (Trabalho) e Alexandre Padilha (Saúde), além do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.

  • O discurso: o embaixador Zhu Qingqiao destacou as cinco palavras-chave da governança chinesa: Planejamento, Desenvolvimento, Bem-estar, Inovação e Abertura.

  • Foco tecnológico: exibição de documentário sobre manufatura inteligente e robótica chinesa.

O diálogo ocorre em um momento simbólico: a China acaba de aprovar as diretrizes de seu 15º Plano Quinquenal. Durante a abertura, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, proferiu um discurso contundente sobre a previsibilidade e a ambição do país asiático.

“A China persiste na execução contínua de um mesmo projeto, geração após geração, concentra-se em fazer bem o seu trabalho, aperfeiçoar-se continuamente e compartilhar com o mundo as oportunidades que cria. Aí reside um dos segredos centrais de seu sucesso”,

Embaixador Zhu Qingqiao

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Planejamento e estabilidade em tempos de incerteza

Em meio a um cenário global marcado pelo protecionismo e pela “desglobalização”, a mensagem de Pequim em Brasília foi de abertura institucional. O embaixador destacou que a China não apenas pretende elevar seu PIB per capita para além dos US$ 20 mil até 2035, mas também planeja dobrar sua classe de renda média para 800 milhões de pessoas na próxima década — um mercado gigantesco que se abre para produtos e serviços brasileiros.

O secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Marcelo Costa, e o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, reforçaram a necessidade de o Brasil aproveitar essa “janela de oportunidade” para diversificar sua pauta de exportações, indo além das commodities. O caso de sucesso apresentado pela Vale durante o painel “Uma Cidade, Um Exemplo” ilustrou essa transição, com foco em parcerias para a economia verde e novas energias.

Inovação: do “made in China” ao “invented in China”

Um dos pontos altos do evento foi a discussão sobre a autossuficiência tecnológica. O embaixador Zhu sublinhou que a inovação não é mais um projeto futuro, mas uma realidade cotidiana que a China deseja compartilhar.

“Durante o período do 15º Plano Quinquenal, a China acelerará o avanço rumo à autossuficiência e ao fortalecimento tecnológico de alto nível. O país também buscará avanços decisivos em tecnologias essenciais em áreas prioritárias, como circuitos integrados, materiais avançados e manufatura biológica”, pontuou o diplomata.

Para ilustrar essa vanguarda, o documentário “Artesanato da China: Manufatura Inteligente com Robôs” foi exibido, revelando como a inteligência artificial e a robótica estão redefinindo a produtividade industrial chinesa.

Juventude e o “sul global”

O evento também dedicou espaço a um fórum de jovens líderes, focando no intercâmbio cultural e no combate à pobreza. A tese defendida pelos participantes é que China e Brasil, como líderes do Sul Global, devem atuar como forças de estabilidade.

Ao final, Zhu Qingqiao deixou um convite direto aos investidores e autoridades presentes: “Caminhar com a China é caminhar com as oportunidades, confiar na China é confiar no amanhã, investir na China é investir no futuro”. A mensagem final foi de união para a construção de uma “Comunidade de Futuro Compartilhado China-Brasil”, focada em um mundo mais justo e sustentável.