Comportamento

China anuncia renovação de acordo com o Vaticano por dois anos

China anuncia renovação de acordo com o Vaticano por dois anos

Católicos chineses durante missa em 24 dezembro de 2018 em Pequim - AFP

A China anunciou nesta quinta-feira a renovação por dois anos de um acordo provisório assinado com o Vaticano sobre a nomeação dos bispos, tema que provoca mal-estar entre a Igreja e o governo chinês há décadas.

“O acordo foi prorrogado por mais dois anos”, afirmou à imprensa o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijan.

Pequim e o Vaticano assinaram em setembro de 2018 um acordo provisório e renovável que pretendia acabar com quase 70 anos de tensões pela delicada questão da nomeação dos bispos.

Os 12 milhões de católicos da China estão divididos entre uma igreja clandestina, chamada de ‘subterrânea’, que só reconhece a autoridade do papa, e a igreja “oficial”, submetida ao regime comunista.

Com o acordo de 2018, o papa Francisco reconheceu oito bispos nomeados por Pequim sem a sua aprovação e as autoridades chinesas reconheceram dos ex-bispos da igreja subterrânea.

Mas as concessões feitas pelo Vaticano não deixaram a vida dos cristãos da igreja clandestina chinesa, que representaria quase seis milhões de fiéis, mais fácil.

Os católicos, assim como os fiéis de outras religiões, sofrem com a política de onipresença do regime chinês, que implica a destruição de templos ou de cruzes posicionadas no topo dos edifícios, assim como o fechamento de escolas consideradas religiosas.

Apesar das dificuldades, o pontífice deseja restabelecer as relações com o regime comunista, rompidas em 1951, e expressou o “sonho” de viajar ao país asiático, ao qual o catolicismo chegou no século XVI, graças fundamentalmente a missionários jesuítas.

China e Vaticano “continuarão conversando (…) e avançando com o processo de melhorar suas relações”, afirmou Zhao.

Para complicar ainda mais o cenário, o Vaticano está entre os 15 Estados do mundo que reconhecem o governo de Taiwan, ilha dirigida por autoridades contrárias a Pequim desde 1949 e sobre a qual a China reivindica sua soberania.

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