China anuncia controles reforçados contra empresas japonesas por vínculos militares

O Ministério do Comércio da China anunciou, nesta terça-feira (24), controles reforçados de exportação contra 40 empresas e entidades japonesas, incluindo a agência espacial e o grupo Mitsubishi, acusadas de ajudar a fortalecer a capacidade militar do Japão.

O ministério incluiu outras empresas, como a Subaru, em uma “lista de vigilância” para controlar a exportação de “produtos de uso duplo”.

Também foram incluídos na lista de controles reforçados o estaleiro naval Japan Marine United; a Mitsubishi Heavy Industries Aero Engines (motores aeronáuticos), a Kawasaki Heavy (aviões de combate), a IHI Aero Space (mísseis) e a agência espacial japonesa (operadora de foguetes).

“As medidas mencionadas pretendem restringir a ‘remilitarização’ do Japão e suas ambições nucleares. As medidas são completamente legítimas, razoáveis e legais”, afirmou o ministério chinês em um comunicado.

“As ações legais da China são direcionadas contra um pequeno número de entidades japonesas, com medidas relevantes dirigidas a produtos de uso duplo, e não afetam as negociações econômicas normais e o comércio entre China e Japão”, acrescenta a nota.

“As entidades japonesas honestas e que cumprem a lei não têm com o que se preocupar”, afirma o comunicado.

As empresas poderão solicitar sua retirada da lista de vigilância caso cooperem com os termos chineses de verificação.

O porta-voz do Executivo japonês, Kai Sato, anunciou que as autoridades nipônicas “protestaram de modo veemente contra as medidas e exigiram sua retirada”. Para o governo do Japão, as medidas anunciadas pela China são “inaceitáveis e profundamente lamentáveis”.

A China intensificou a pressão sobre o país vizinho desde que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu em novembro que Tóquio poderia reagir militarmente a um ataque contra Taiwan, a ilha de governo autônomo que Pequim considera como parte de seu território.

Takaichi já havia causado incômodo durante a campanha eleitoral ao visitar o santuário Yasukuni, em Tóquio. O local homenageia, entre outros, criminosos de guerra e é considerado por muitos países asiáticos como um símbolo do passado militarista do Japão, responsável por atrocidades na Ásia e na China nas décadas de 1930 e 1940.

Em meados de fevereiro, durante a Conferência de Segurança de Munique, o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, advertiu que “os fantasmas do militarismo” nipônico “não desapareceram”.

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