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China acusa EUA de “sério obstáculo” na luta contra a mudança climática

China acusa EUA de “sério obstáculo” na luta contra a mudança climática

Névoa tóxica cobre com frequência cidades como Xangai - AFP/Arquivos

A China acusou nesta quarta-feira os Estados Unidos de representarem um “sério obstáculo” à luta contra a mudança climática, um dia após um confronto de discursos entre as duas potências durante a Assembleia Geral da ONU.

“Ao se retirar dos acordos internacionais que tem por objetivo reduzir as emissões de dióxido de carbono, os Estados Unidos falham em seu dever e se negam a tomar as medidas mínimas para proteger o planeta”, afirmou em um comunicado o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Wang Wenbin.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um cético sobre a mudança climática que abandonou o Acordo de Paris, afirmou na terça-feira, em seu discurso virtual e pré-gravado na Assembleia Geral das Nações Unidas, que seu país tem um “desempenho excepcional” na área ambiental e criticou “a poluição endêmica da China”, maior emissor mundial de gases do efeito estufa.

O presidente chinês, Xi Jinping, anunciou pela primeira vez a meta de alcançar a neutralidade em carbono até 2060.

“Nosso objetivo é ter um máximo de emissões de CO2 até 2030 e alcançar a neutralidade em carbono até 2060”, afirmou Xi na reunião anual das Nações Unidas.

Pequim aumentará os compromissos com base no Acordo de Paris, destacou.

Estes compromissos são estabelecidos livremente por cada país signatário, mas são vinculantes e devem ser revisados periodicamente para cima.

“Pedimos a todos os países que adotem medidas decisivas para cumprir o acordo”, completou o presidente chinês, ao apontar implicitamente que os Estados Unidos, segundo maior emissor de CO2 do planeta, devem abandonar o pacto em novembro, por decisão de Trump.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, felicitou no Twitter o governo de Pequim por seu anúncio sobre o clima, mas advertiu que “resta muito por fazer”.

Na ONU, a China de Xi Jinping e os Estados Unidos de Donald Trump deixaram evidentes suas divergências em outros temas, começando pela gestão da pandemia do novo coronavírus.

A seis semanas antes das eleições presidenciais, Donald Trump, atrás do rival democrata Joe Biden nas pesquisas, criticou duramente a administração da pandemia por Pequim e chamou a covid-19 de “vírus chinês”.

“Devemos responsabilizar a nação que desencadeou esta praga no mundo, a China”, disse Trump em seu discurso, no qual prometeu “distribuir uma vacina e acabar com a pandemia”, que matou mais de 200.000 pessoas em seu país, o balanço mais grave no planeta.

Xi afirmou que seu país “não tem a intenção de entrar em uma Guerra Fria”.

O presidente chinês deplorou a “politização” da luta contra a covid-19, que provocou quase um milhão de mortos no mundo, e sem citar os Estados Unidos pediu para não cair “na armadilha de um choque de civilizações”.

O embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, acusou Trump de disseminar “um vírus político” na Assembleia Geral.

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