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Chile promove criação de novo grupo sul-americano ante fracasso da Unasul

Chile promove criação de novo grupo sul-americano ante fracasso da Unasul

O presidente chileno, Sebastián Piñera (D) e seu homólogo peruano, Martín Vizcarra, saúdam suas respectivas delegações pela imagem oficial da Reunião Ministerial Binacional Chile-Peru no Palácio Presidencial La Moneda, em Santiago, em 27 de novembro de 2018 - AFP/Arquivos

O Chile vai promover a criação do Prosul, novo organismo sul-americano para substituir a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), praticamente inativa há três anos, informou nesta segunda-feira o presidente Sebastián Piñera.

A fundação de um novo organismo regional começou a ganhar força na semana passada, em uma reunião sobre “integração sul-americana” com a participação de representantes de todas as nações da região, exceto Venezuela, no Chile.

Na ocasião, o chanceler chileno, Roberto Ampuero, lançou a proposta, confirmada nesta segunda por Piñera.

“Nossa proposta é criar uma nova referência na América do Sul (Prosul) para uma coordenação, cooperação e integração melhores, livre de ideologias, aberta a todos e 100% comprometida com a democracia e os direitos humanos”, informou Piñera em sua conta oficial no Twitter.

Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru suspenderam, no ano passado, sua participação na Unasul, organismo lançado em 2011 por iniciativa dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez para fazer frente à influência dos Estados Unidos na região.

Os países continuarão afastados até que seja eleito um novo secretário-geral para substituir o colombiano Ernesto Samper, que concluiu seu mandato em janeiro de 2017. Desde então, suas atividades estão praticamente paradas.

A Venezuela, que vive uma crise econômica e política sem precedentes, se negou a reconhecer a nomeação do argentino José Octavio Bordón como novo secretário-geral, deixando o cargo vago desde então.

Em agosto passado, o presidente colombiano, Iván Duque, anunciou a saída do país, lançando sua pá de cal sobre a instituição, que nasceu com o propósito de construir uma identidade e cidadania sul-americanas e desenvolver um espaço regional integrado.

Duque classificou-a, então, de “cúmplice da ditadura da Venezuela”.

Integrada por 12 países da região, a Unasul representa 388 milhões de pessoas e um PIB conjunto de 1,9 trilhão de dólares.

– Fracasso –

Apesar da crise do bloco, no ano passado foi inaugurado o Parlamento da Unasul, construído na Bolívia com custo de 61,7 milhões de dólares. Mas ele ainda não tem parlamentares, já que não foram realizadas eleições.

“A Unasul está há três anos paralisada e fracassou por excesso de ideologia”, sentenciou Piñera.

O mandatário chileno e seu equivalente colombiano são os incentivadores deste novo organismo. Os demais presidentes sul-americanos ainda avaliam sua eventual adesão.

Caso todos concordem, o novo organismo pode dar seus primeiros passos em uma cúpula de presidentes que está sendo planejada para fins de março no Chile.

A Unasul cresceu com o apoio de uma maioria de presidentes de esquerda que governavam a região durante o boom das matérias-primas, mas o panorama mudou nos últimos três anos. Os mandatários Mauricio Macri, da Argentina, e Jair Bolsonaro dariam seu apoio ao Prosul, segundo veículos locais.

O Prosul também poderia tomar ações diretas sobre a crise política, econômica e social da Venezuela – país que não fez parte de nenhuma das negociações para a entrada em vigor do novo organismo.