Mundo

Chile aceita que Comissão Interamericana de Direitos Humanos observe protestos

Chile aceita que Comissão Interamericana de Direitos Humanos observe protestos

(25 out) Manifestação é dispersada com gás lacrimogêneo em Santiago - AFP

O governo chileno disse nesta segunda-feira (11) que aceitou o pedido da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para observar a situação no país, em meio a uma onda de protestos que já deixou 20 mortos.

“O governo decidiu convidar a Comissão a fazer uma observação no terreno”, disse o ministro da Justiça, Hernán Larraín, cinco dias após a própria CIDH formalizar um pedido para monitorar a evolução dos acontecimentos no Chile.

Larraín disse esperar que o convite seja concluído “o mais rápido possível”, acrescentando que o governo mantém um diálogo “muito fluido” com este órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA).

As manifestações começaram em 18 de outubro, com reivindicações contra o aumento do bilhete de metrô. Logo evoluíram para um movimento mais amplo contra o governo de direita Sebastián Piñera, incluindo demandas por profundas reformas sociais.

Nos protestos, 20 pessoas morreram até agora, cinco nas mãos de agentes do Estado. Quase 200 manifestantes tiveram lesões oculares.

No início deste mês, o Instituto Nacional de Direitos Humanos do Chile (NHRI) solicitou relatórios de especialistas para conhecer detalhadamente a composição dos projéteis utilizados, a fim de identificar se alguns são de estrutura metálica, em substituição aos de borracha comumente usados em manifestações.

Além disso, 179 ações legais foram movidas por tortura, maus-tratos, imposição de situação degradante e violência sexual por parte do efetivo do Batalhão de Choque.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, também enviou uma missão ao Chile para investigar as denúncias.