Chico Diaz comenta sobre desaparecimento de críticas culturais

Ator opinou a respeito da mudança das análises do cinema brasileiro e preparação para diferentes personagens

(Foto: Reprodução/Instagram)
Ator mexicano-brasileiro, Chico Diaz Foto: (Foto: Reprodução/Instagram)

O ator Chico Diaz fez diversas comentários sobre a forma como as críticas culturais e cinematográficas são feitas no Brasil durante a 28º edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, evento que ocorre entre os dias 24 de janeiro e 1º de fevereiro, em Minas Gerais.

Em entrevista ao site IstoÉ Gente, o ator falou sobre a ascensão de novos meios de divulgar as análises das artes brasileiras, sua preparação para trabalhos na televisão e teatro e a ascensão de questões como o etarismo.

“A crítica é fundamental, ela é uma referência, não só para o artista e para os criadores, mas como uma formação da sociedade. Para que uma avaliação de evolução de consciência artística aconteça. Todas as críticas desapareceram dos meios mais importantes, o que é uma vergonha para o país”, começou o artista.

Diaz reforçou que o sumiço e a evolução das análises ao longo dos anos no Brasil causa preocupação para a comunidade artística.

“Claro que nós estamos vendo também uma multiplicação de críticos. Alguns se arvoram no posto pelos podcasts e pelos youtubers. Então, há uma multiplicação muito grande, mas eu não sei até que ponto há profundidade e fundamento nesses novos profissionais. É importante rever a presença e a postura do crítico nas artes brasileiras atuais”, completou o ator.

Preparações diferenciadas

Questionado sobre seu preparo em diferentes papéis, o artista comentou sobre as diferenças do teatro e da televisão.

“Claro que a preparação de um personagem para a televisão, pelo ritmo, pela quantidade de cenas, pela visibilização de 50, 100 milhões, é uma outra textura. O cinema exige síntese. Alguns personagens, como esse do Girassol Vermelho, vestem como uma luva para o intérprete poder falar alguma coisa sobre os tempos vividos.”

“O teatro tem a presença de um semelhante, você decora de uma forma mais profunda. Há uma questão simbólica mais profunda no teatro. Mas, na verdade, eu, Chico e Deft o artista, ao me manifestar é um rio único. É um condutor na tentativa de refletir minha gente e meus tempos”, afirmou.

Chico também revelou que nos últimos anos tem tentado migrar para as artes plásticas, com a prática da pintura e que em todas as áreas sente que “há uma ânsia de manifestar-se, um certo desespero de compreensão do significado da existência ou da consciência de estar em um coletivo”.

Chico Diaz comenta sobre desaparecimento de críticas culturais

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Etarismo e diminuição de ofertas nos papéis

Sobre os problemas ligados ao etarismo e os fatores determinantes na delegação de papéis diversos, o Chico contou que só começou a se incomodar com as questões depois que elas foram realmente levantadas pela comunidade.

“É claro que eu me preocupo, porque o ofício do ator, os grandes personagens, os heróis, os protagonistas, são sempre mais jovens, mas, historicamente sempre foi assim. Eu sei que os personagens, pra mim, vão diminuir, sempre soube disso. É uma questão de aceitar a vida um pouco como ela é e continuar inspirado, otimista e entusiasmado com a possibilidade da poesia”, completou Diaz.

Chico relatou que acredita que todos os meios, artes e personagens contam com um fator em comum: a poesia. “Eu acho que a poesia é uma porta, uma fresta, onde podemos passar e salutar o que a gente vive.”