Em Cartaz

Chico Bororó redescoberto

A pianista Maria Josephina grava a obra popular do marido, Francisco Mignone, que usou pseudônimo nos seus sambas

Crédito: Divulgação

CASAL O compositor Francisco Mignone e a pianista Maria Josephina Mignone em 1978: aos 96 anos, ela lança um álbum com a produção juvenil inédita do marido (Crédito: Divulgação)

O nome de Chico Bororó é um caso raro na história da música. Ele consta de partituras e gravações lançadas entre 1912 e 1931. São peças como o samba burlesco “Ahi! Pirata!”, gravado em 1928 em disco Odeon por Francisco Alves, o Rei da Voz. A canção fez sucesso no Carnaval e trouxe o seu autor à luz da ribalta. Poucos sabiam que ele era o compositor clássico paulistano Francisco Mignone (1897-1986), famoso pelas “Valsas de esquina” e pelo bailado “Congada”, regido em 1921 por Richard Strauss com a Orquestra Filarmônica de Viena. “Desde menino, Mignone gostava de serestas”, diz a pianista Maria Josephina Mignone, viúva do maestro. “Divulgar esse tipo de música não convinha a moços de família. Daí o pseudônimo.” Maria Josephina, realiza uma proeza aos 96 anos: apresenta pela primeira vez a obra integral de Chico Bororó. Executa com domínio ao piano as peças solos e acompanha a soprano Nati Szpilman nas canções. O resultado é o álbum duplo “Chico Bororó – um jovem Mignone” (selo Francisco Mignone). “Mignone tinha o gênio criativo”, diz Maria Josephina. “Poucos triunfaram como ele tanto na música erudita como na popular.”

Hits do jovem gênio do maxixe

O álbum traz 28 faixas, 27 composições para piano e voz e piano. Maria Josephina interpreta-as sem deixar de manter a fidelidade dos padrões de execução da época. “Procurei recuperar o espírito dos anos 1920”, diz. “São peças leves, mas complicadas. Mignone dizia que é mais difícil compor música fácil.” Uma das peças para piano solo é a valsa “Coca”, gravada de 1916 pela Orquestra Paulistana, regida pelo pai do autor, o flautista Alferio Mignone.